A história que Hiro Kawara vem desenvolvendo no universo de Astolat é linda e melancólica. Na primeira graphic novel “O Bestiário Particular de Parzifal” temos uma apresentação desse mundo repleto de amigos imaginários, partidas e reencontros. Nele temos um pouco da história de Parzifal e o desfecho da mesma. Nessa segunda, já temos uma prequela e somos apresentados a Elaine, mãe de Parzifal e responsável pela criação de Astolat e um pouco da infância da nossa protagonista.
Esse quadrinho de traços delicados contrasta com uma história profunda e sofrida, repleta de traumas e sofrimentos e, assim como na primeira, acabei de ler com um nó na garganta e os olhos marejados. Não é uma história indicada para crianças e te coloca pra pensar sobre desistências e escolhas que tomamos no calor das emoções que podem e, provavelmente, impactarão de alguma forma outras vidas. Fala sobre responsabilidades, medos, culpas, imaturidades e também sobre confiança e amor.
Acredito que seja importante citar que embora exista uma cronologia entre as histórias, não é necessário ler nessa ordem. As duas funcionam separadas independentemente dessa relação.
Eu conheci o Hiro através do financiamento coletivo e já tive o prazer de participar de duas de suas campanhas no catarse (cada vez mais vejo a importância dessa ferramenta que democratiza o acesso as histórias e projetos que poderiam não ter a chance de se materializarem, além de fomentar a cultura local e independente) e em 2021 teremos o desfecho dessa história com a terceira graphic novel “Dindrane”. Sendo assim, sigam esse artista em suas redes sociais e no catarse para saberem de primeira mão quando o projeto estiver tomando forma e se permitam conhecer esse mundo melancólico porém maravilhoso que é Astolat e seus moradores imaginários. Vale muito a pena!