Jos Litvak se tornou um herói: ajudou os vizinhos a fugir dos nazistas, enviou mocinhas para fora da Holanda clandestinamente, luta na resistência. O que seus contemporâneos vão descobrir muito mais lentamente que o leitor é que ele vai tirando proveito de cada uma de suas ações, para seu ego e para seu bolso, e não se importa com os destinos daqueles que por ele são “ajudados”.
Em uma história que se passa entre o final da Segunda Guerra Mundial e os primeiros anos após seu término, bem como parte no Brasil e parte na Holanda, Décio Zylberstajn explora os efeitos colaterais da guerra nas pessoas, abordando a imigração em massa e a formação das “casas de tolerância”.
Embora leve o nome de uma orixá, o livro não dá o destaque esperado às religiões de matriz africana ou às comunidades que as seguem. Apesar de ser a intenção do autor focar na história de Jos, acredito que esse aspecto poderia ter sido melhor explorado. Além disso, me incomodou a escolha do orixá, já que Osum é uma mulher forte e estaria protegendo um rapaz que engana e prejudica as mulheres que encontra em seu caminho.
Por outro lado, conhecer um pouco mais da formação de bairros antigos, como o do Bom Retiro, em São Paulo, através da ficção, foi bastante interessante, além de ter uma visão sobre a Guerra que fujam do lugar-comum.
Esse foi um livro que me causou sentimentos contraditórios e que tem pontos que, acredito, possam ser melhor desenvolvidos.
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