A neozelandeza Ngaio Marsh pertence à linha clássica do romance policial. O desenho cuidadoso das personagens que protagonizarão o drama, a apresentação do ambiente onde o crime irá ocorrer, a investigação passo a passo, os depoimentos, as contradições, os segredos - caracterizam o romance policial clássico.
Neste "Prelúdio para matar", eleito por especialistas (incluindo outros escritores do gênero) como a obra-prima da autora, temos os ingredientes citados além do um humor suave, de provocar sorrisos (algo bem britânico, quando não se trata de humor negro) e de um detetive dentro da tradição de Sherlock Holmes (porém bem mais humano do que ele), Roderick Alleyn, herói de todos os romances de Ngaio Marsh.
A trama é bem desenvolvida, sem pressa, algumas figuras coadjuvantes são bem construídas, e, embora não seja difícil descobrir quem é o assassino, a leitura é altamente prazerosa; para quem já conhece Marsh e seu detetive, o prazer será maior (existe uma certa evolução na vida do personagem, e como fã acho bem interessante).