Almanaque de um condado arenoso e alguns ensaios sobre outros lugares -

    Aldo Leopold

    UFMG
    2019
    286 páginas
    9h 32m
    ISBN-13: 9788542302752
    Português Brasileiro

    Nascido em Iowa em 1887, Aldo Leopold iniciou sua carreira em 1909, quando ingressou no Serviço Florestal dos Estados Unidos. Suas propostas surgiram a partir de pesquisas com manejo de fauna, de seu trabalho como professor na Universidade de Wisconsin-Madison, da prática da conservação em seu próprio sítio e de uma profunda paixão pelas atividades ao ar livre, como a caça, a pesca, os passeios a pé ou a cavalo por trilhas em áreas selvagens e a observação da natureza, “um direito tão inalienável como a liberdade de expressão”. Aldo faleceu em 1948, combatendo um incêndio na propriedade de seu vizinho, logo após tornar-se conselheiro das Nações Unidas sobre conservação. Seu legado de preservação da vida selvagem é reafirmado em 1977, com a concessão da medalha John Burroughs de distinção no campo da história natural, homenagem recebida postumamente por seu trabalho e, em particular, por Almanaque de um condado arenoso. Publicado pela primeira vez em 1949 e traduzido em diversos países, este livro – que nos remete a duas grandes figuras do pensamento transcendentalista norte-americano do século XIX, Emerson e Thoreau – oferece ao leitor brasileiro uma visão delicada da frágil teia dos equilíbrios naturais e uma crítica ao antropocentrismo e às devastadoras intervenções humanas sobre os ecossistemas. Esta edição marca os 70 anos de uma das obras mais importantes nas áreas de ecologia e conservação, uma peça fundamental no desenvolvimento da ética ambiental moderna.

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    Marcos Rodrigues08/01/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Obrigatório para biólogos e ambientalistas

    Publicado em 1949, logo após a morte prematura do autor, o professor de Conservação e Manejo de Fauna da Universidade de Wisconsin-Madison (norte dos EUA), Aldo Leopold. O livro é um relato poético das observações do autor sobre vários aspectos da natureza, principalmente o relacionamento da fauna e flora em sua fazenda (uma área abandonada devido a baixa produtividade da terra causada pelo mau uso da mesma). A princípio parece despretensioso, mas a medida que os capítulos se sucedem fica claro que o autor, além de poeta, é um exímio conhecedor de ecologia. O livro aborda todas as questões ambientais difíceis de resolução fácil. Já em 1949 ele aborda desde assuntos como manejo do solo, agricultura sustentável, o problema ético da caça e pesca, o papel ecológico de espécies 'invisíveis' aos nossos olhos, o problema do comportamento animal (migração e uso de área de vida) na delimitação de reservas biológicas (como o dos Ursos e Lobos), até o aquecimento global, e tantos outros. Nos introduz a conceitos complexos como 'comunidade ecológica', interações, ciclo geo-químico dos elementos e tantos outros. A parte final do livro o autor nos presenteia com vários ensaios sobre assuntos muito atuais como o ecoturismo (com uma crítica bastante contundente ao sistema norte-americano), o papel da ciência no entendimento dos ciclos da natureza, etc. Tudo isso feito com poesia, sem nenhuma formula matemática, sem nenhuma tabela, mas com argumentos baseados em dados e fatos concretos. É uma iniciação à ecologia e ao ambientalismo sem ser romântico. Pelo contrário, o autor é muito crítico em relação ao romantismo que permeia o assunto meio-ambiente. Ele é um crítico feroz ao 'american-way-of-life', ao sistema de Parques Nacionais dos EUA, ao Serviço Florestal dos Estados Unidos e as políticas de proteção e uso da biodiversidade daquele país. É um ponto de vista totalmente diferente daquele que a maioria de nós conhece sobre o assunto 'conservação do meio-ambiente'. Vale a pena ler? Não! É muito mais do que isso, deveria ser leitura obrigatória no ensino médio e nas faculdades de biologia, engenharia ambiental e gestão ambiental, entre outras (direito e turismo também). É uma apena que o livro foi traduzido para o português apenas agora. A propósito, o livro objeto foi muito bem editado pela Editora UFMG. Papel amarelo pólen 85g/m2 e capa com orelhas em cartão grosso (250 g/m2). As letras tem um tamanho perfeito. O livro é finamente ilustrado por Charles W. Schwartz, um artista de mão cheia. Os desenhos são belíssimos. Forma e conteúdo de primeira qualidade. Parabéns também ao tradutor, o biólogo Rômulo Ribon, professor da Universidade Federal de Lavras (MG). Tradução perfeita além de 122 notas explicativas, um glossário essencial, uma cronologia da vida de Aldo Leopold e um excelente prefácio. Há também um segundo prefácio com notas a edição brasileira assinado pelo biógrafo de Leopold, Curt Meine. Vá e compre seu exemplar agora porque acredito que a tiragem tenha sido pequena.

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