Entre o ridículo, a incoerência e o preconceito
Para minha terceira leitura em italiano eu precisei escolher qualquer livro que tivesse à minha disposição. Cai nesse aqui, uma das coisas mais sofridas (para mim) que já precisei ler. Tá certo que em muitos trechos eu li no automático, entendendo a língua perfeitamente ou nem perto disso. Mas foram em momentos específicos onde o livro não conseguia me encantar. A premissa é interessante, uma espécie de Dan Brown do Egito. E o livro começa bem, frenético, com uma trama interessante de perseguição, desconfiança e tragédia. Mas a coisa começa a degringolar quando o protagonista masculino (Nicholas) chega e toma a cena. O autor simplesmente parece esquecer da protagonista mulher (Royan) que vinha nos acompanhando pela história no primeiro ⅕ do livro. Após ele, ela vira uma espécie de alívio sentimental, ou sexual, ou uma muleta para boas ideias dos homens. É tenebroso, ainda mais quando, em certos momentos, o autor Wilbur Smith tenta parecer descolado fazendo piadocas misóginas. Exemplo é quando Nicholas (britânico) ensina Royan (egípcia) sobre como a África é um continente difícil e arisco. Sério mesmo? Isso tudo sem falar na vergonha alheia em momentos como quando os personagens citam um outro livro qualquer do autor, fazendo de Smith uma espécie de intelectual e detentor de segredos milenares daquele universo que ele mesmo criou. Cafona. A falta de coerência na história também atrapalha e muito. E o final... Olha, não dá para dizer que certos personagens não me cativaram, eles são interessantes e a história consegue se manter com ritmo e com muita coisa acontecendo. Mas ler quase 600 páginas de cafonice, incoerência e falas preconceituosas... Pra mim é um não.

