Mesmo sendo muito debatido por vários estudiosos no mundo todo, o tema transgênero ainda é tratado com muito preconceito, muitas vezes, devido à grande desinformação. Mesmo entre muitos espíritas, o assunto ainda é tratado como tabu. Por isso, Dr. Inácio Ferreira, através de diálogos simples, aborda o assunto e esclarece as dúvidas e as inverdades que o envolvem, oferecendo oportuna compreensão a partir da perspectiva espírita.
Transgênero -
Baccelli & Inácio Ferreira
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Ver maisUma obra necessária.
Uma obra dificilmente comunica de forma ampla com seu tempo, com Inácio Ferreira não tem sido diferente. Trazendo críticas ácidas ao movimento espírita, e novas abordagens acerca do mundo espiritual, o autor tem cumprido um importantíssimo papel de desmistificação, o mais interessante de ser ver é como o movimento espírita se arroga como ciência e filosofia e tem tanta dificuldade em abordar temas que são amplamente debatidos na academia. As pautas identitárias ganharam a centralidade do debate há pelo menos três décadas e somente agora surge um livro falando acerca da transgeneridade, por mais que a sexualidade e abordagem sobre gênero tenham sido sempre debatidas dentro dos livros espíritas, a presente obra ganha um contorno especial por tratar de um tema onde o preconceito e a incompreensão tomam formas absurdas dentro do corpo social, que é a questão da transgeneridade. Um ano depois de Divaldo Pereira Franco asseverar que " a ideologia de gênero" era uma pauta dos comunistas que sequestram criancinhas (2018, aqui uma dose de ironia), Inácio Ferreira vem lembrar a fala de Jesus " não é a vida mais que um alimento e o corpo mais que um veste". MT 6:25 O corpo é a pena veste da mônada, que toma diversas formas para experienciar todas as suas potencialidades divinas ínsitas, transicionar nos gêneros do corpo é algo amplamente natural, aqui vale um spoiler, chamou-me a atenção a fala do autor que afirmou que em épocas pregressas a materialidade dominava o psiquismo,ou seja, o corpo sobrepunha a identidade do espírito reencarnante, com o avanço evolucional coletivo, o psiquismo do reencarnante já prepondera e não é tão enublado pela imposição material. Para qualquer espírita com mínima inserção no conteúdo teórico tal tema não encontraria resistência, já que e algo desde o lançamento do Livro dos Espíritos que se aborda, mas não é o que vemos. Impera ainda uma cultura muito punitivista na leitura do movimento espírita de como se processa a evolução, assim, a homossexualidade e a transgeneridade são vista como punição ao espírito reencarnante e não como uma experienciação natural do ser em estado evolucioanal. Agenciado pela própria estrutura cultural, o que vemos é uma "pré-conceito" em um âmbito que deveria ser a guarita de compreensão, acolhimento e defesa. É um livro necessário, porque o amor tem que ser vivenciado de forma incondicional, e dentro das crises de rupturas de paradigmas é interessante observar onde nos posicionamos. A ética do amor é universal, vale lembrar que o imperativo categórico de todo espírita é Amai-vos e instruí-vos, eis a determinação dada. O que temos que questionar é como está nossa capacidade de amor e nosso grau de instrução.
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