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    Os Inocentes -

    Hermann Broch

    Rocco
    1988
    312 páginas
    10h 24m
    ISBN-6: 880207
    Português Brasileiro
    3.9
    15 avaliações
    Leram18Lendo2Querem58Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos2Desejados58Avaliaram15

    Numa pequena cidade da Alemanha pré-hitleriana, a baronesa W., remanescente de uma sociedade praticamente desaparecida, vive há mais de trinta anos. Em sua companhia, a empregada Zerline, de temperamento tempestuoso, astuciosa, e coincidentemente sua rival no passado. Da breve ligação mantida com o Don Juan da juventude, a baronesa teve uma filha, Hildegarde. Zerline nutre pelas duas um ódio mortal. Minuciosamente planeja uma vingança que levará a cabo, sem hesitações, até as últimas consequências.

    Resenhas (2)Ver mais
    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva14/09/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Dificilmente temos a oportunidade de ler um livro como esse.

    “Os Inocentes” é uma obra rara, ousada, incrivelmente ampla em sua proposta, revolucionária em sua forma. Um “romance” (o próprio autor hesita em qualificar o livro assim) composto de contos e poemas escritos ao longo de quase quarenta anos... uma obra complexa e vertiginosa! Fiquei sem fôlego ao terminar de ler o livro. Na verdade, ao ler o posfácio do autor, onde ele explica a proposta de “Os Inocentes”, percebi que eu estava tão concentrado na leitura que cheguei a prender a respiração! Não é um livro fácil, nem de longe. Exige do leitor bem mais que um livro comum. Mas ao final, a sensação é de doce vitória, tal a que experimentamos após galgar uma montanha ou superar um grande desafio. Só para raros! Hermann Broch é considerado um dos maiores escritores modernistas. Contemporâneo e amigo de James Joyce, compartilhou com ele a ambição de reinventar o romance. Hoje essa discussão toda tem um sabor muito especial, pois já se vão décadas desde a suposta “morte do romance”. “Os Inocentes” mesmo foi publicado em sua versão final em 1950 (começou a ser escrito em 1913). Então é um debate já antigo, uma reflexão fora de seu contexto, uma filosofia deslocada no tempo. Ainda assim, que viagem, meus camaradas!!! Depois que acabei de ler, o livro continuou se mexendo, vivo, dentro de minha mente! Uma narrativa em várias e várias camadas. A trama central é maligna e genial em sua malvadeza. Cobrindo esse fio condutor, muito lirismo, muita filosofia, muito pensamento de cabeção. Pois não há dúvida de que Hermann Broch é um cabeção!!! Não consigo contar nada sobre a história em si do livro. Sinto que seria uma traição à grandeza do todo me concentrar em uma pequena parte. Os editores é que não tem esses escrúpulos e colocaram tanto na orelha quanto na contracapa, de forma ostensiva, revelações que o autor prefere deixar o leitor adivinhar, e que mesmo assim só ocorrem no final do livro! Começo a suspeitar que o editor padrão nutre um profundo desprezo pela inteligência do leitor... e também pela integridade artística do livro. Agradeço à querida Cyntia pela oportunidade de ler esse livro!!! Que não é nem a obra-prima de Broch... consideram como tal “A Morte de Virgílio”, obra que foi capaz de deixar Aldous Huxley de boca aberta... imaginem!!! Só para loucos!!! (14.09.10) “Relato da Origem do Romance” Quis guardar esses trechos do posfácio, que aqui compartilho: “A forma do romance – mesmo que se trate de obras de consumo fabricadas sem nenhuma ambição artística – modificou-se consideravelmente ao longo dos últimos anos. Como toda a arte, o romance também deve apresentar uma visão total do mundo, e particularmente a totalidade das vidas de seus personagens. Esta é uma exigência cada vez mais difícil de realizar num mundo que se torna a cada dia mais dividido e complexo. (...) A Ciência, por sua vez, não pode oferecer totalidades. Deve entregar esta tarefa à Arte, e com isso, também ao romance. Dessa maneira, o aspecto integral, exigido da Arte, adquiriu um caráter radical antes inimaginável, e para satisfazer essa exigência, o romance precisa de uma multiplicidade de planos, para cuja elaboração certamente não basta a velha técnica naturalista. Deve-se representar o homem na sua totalidade, com toda a gama de suas experiências vividas, desde as físicas e sentimentais até as morais e metafísicas. Assim se apela imediatamente ao lirismo, já que só ele é capaz de proporcionar a indispensável exatidão.” “Que adianta então servirmo-nos da forma de um romance, para fazermos com que essa raça de burguesotes enfrente sua imagem no espelho? Só para obtermos uma satisfação artística? Só para demonstrarmos que num mundo de terror e de carnificina abstrata nenhuma tradição tem consistência, e que o romance tampouco pode se contentar com os recursos do passado? Para mostrarmos que o tratamento naturalista, ao qual o romance apegou-se muito mais do que as outras artes, necessita agora de uma complementação – possivelmente abstrata –, por mais concreta e honesta que seja sua índole? (...) A resposta já foi dada com monumental pertinência por Joyce. Na sua obra, ele comprovou que um mundo ultracomplexo só pode ser apresentado de modo aproximadamente total mediante o emprego de recursos pluridimensionais, além de especiais construções e abreviaturas de símbolos. Mas será que o pequeno-burguês – supondo que ele leia romances – se reconheceria num espelho artístico fabricado segundo esses princípios? Percebe ele o que significa Bloom? O pequeno-burguês nem sequer se identifica na mais simples caricatura. Pois, fazendo questão de nada ver do que se encontra sob a mais tênue superfície, tampouco o vislumbra. Para que serve então tal romance? A pergunta toca um dos mais essenciais problemas da Arte, seu problema social. A quem ela deseja colocar diante do espelho? Que resultado espera obter com isso? Um despertar? Uma elevação? Nenhuma obra de arte jamais conseguiu ‘converter’ alguém, para que realizasse qualquer coisa.(...) O escritor consegue apenas expressar suas convicções, mas o abalo que delas provém restringe-se aos domínios estéticos. Elas só convencem quem antes já as tinha. Para o público, não tem nenhuma importância que um herói se imole no palco em prol desta ou daquela crença religiosa. Interessa-lhe apenas o acontecimento dramático do martírio em si. (...) Mas, mesmo que a obra de arte seja incapaz de obter uma conversão (...), ainda pertence ao processo catártico. A obra de arte pode ilustrá-lo. O Fausto, de Goethe, é o exemplo clássico. Mediante tal faculdade de apresentação do processo e – o que é ainda mais importante –, por seu poder de transmissão da catarse, a Arte atinge um significado social que atinge os domínios do metafísico.”

    2 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 15
    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas47%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Hermann Broch  profile picture

    Hermann Broch

    Foi um escritor austríaco de etnia judaica, considerado um dos três grandes nomes da literatura modernista alemã e um dos maiores do século XX, ao lado de Robert Musil e Thomas Mann. Predestinado a trabalhar na fábrica têxtil de seu pai em Teesdorf, vendeu a fábrica e decidiu estudar matemática, filosofia e psicologia na Universidade de Viena. Embarcou na carreira literária aos 40 anos e aos 45 publicou sua primeira novela, "The Sleepwalkers" (Os Sonâmbulos). Foi preso pelo nazistas em 1938, porém um movimento organizado por amigos - incluindo James Joyce - conseguiu tê-lo libertado e autorizado a emigrar, primeiro para o Reino Unido, depois para os Estados Unidos, onde finalmente terminou seu romance "The Death of Virgil" e começou a trabalhar, como Elias Canetti, em um ensaio sobre o comportamento dos grupos sociais, o qual permaneceu inacabado.

    12 Livros
    20 Seguidores

    Hermann Broch