O teatro se fez e se faz, assim como se mantém, na autenticidade e resistência dos amantes dessa arte indispensável. Não esperamos que a política lance mão do teatro, como lançou mão do trabalho de marqueteiros, mesmo porque, permanecendo a intenção que leva à prática de marqueteiros, a experiência da política permaneceria desastrosa, apenas com matiz supostamente renovado, porque arte não combina com enganação. Há desilusão na política por que há políticos corruptos. É outra a inspiração ficcional do teatro, jamais com variantes para a desilusão, antes, para o desvelamento da verdade mesma e valorização desta.
Direito, Política e Teatro -
Maria Helena Damasceno e Silva Megale
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Ver maisAliando tratativas sobre questões do direito, da política e do teatro, a obra traz uma série de reflexões que permeia esses três âmbitos - mas não só eles - do saber, tanto de maneira isolada como em conjunto, estabelecendo assim diversos diálogos que propõem o pensar e também clamam pelo repensar. Como aponta Fernando Ribeiro no prefácio do livro, "a análise do Direito a partir do teatro e da literatura pode contribuir para uma abordagem mais próxima ao projeto da ciência jurídica de nossos dias", sendo essa justamente uma das propostas da obra, possibilitando uma análise mais ampla do fenômeno jurídico (e político) que vá além do seu aspecto dogmático. O livro é uma reunião de vários pequenos escritos da autora. São vinte e um capítulos em uma obra de quase cem páginas, de modo que as abordagens são objetivas, pontuais e específicas. Nem por isso são rasas. Pelo contrário. Há todo um esforço notório nas linhas em se condensar questões profundas através de pequenos artigos que dizem muito. Assim, a síntese que se evidencia nos capítulos que compõem a obra funciona como um agradável convite para que o livro possa ser lido despretensiosamente, uma vez que o gancho que arrebata o leitor para as importantes questões que ali são abordadas acaba sendo um efeito natural do processo de leitura. É um livro, portanto, que não cansa e que alcança êxito em transmitir aquilo que se propõe. Dentre as tantas temáticas trabalhadas na obra, tem-se a questão das relações juspolíticas na contemporaneidade, a cooperação em ações assistenciais, imigrantes, corrupção, retórica, emancipação política, linguagem, hermenêutica, política e teatro. Como já expressado, "Direito, Política e Teatro" é um bom livro. A leitura é enriquecedora e válida de ser realizada. Há, porém, uma certa falta do teatro que se evidencia no título. A temática que mais aparece nos artigos é a política, dialogando em alguns outros com o direito. Mas o teatro falta. Tem, mas menos do que o leitor pode vir a esperar ao tomar o título da obra como referência para tanto. De todo modo, essa ausência - que não tem como deixar de ser sentida - não torna o livro menos daquilo que é. O referencial que formaciona a base para os escritos em que a autora estabelece suas reflexões críticas é de peso. Agamben, Arendt, Camus, Derrida, Heidegger, Lispector e Sartre estão dentre os tantos importantes nomes que aparecem nas notas de rodapé e bibliografia. É com acerto, portanto, por várias razões, que Maria Helena Damasceno e Silva Megale escreve essa obra, tratando-se de um bom livro para ser lido e se refletir sobre política e direito.
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