O demolidor de presidentes -

    Marina Gusmão de Mendonça

    Codex
    2002
    383 páginas
    12h 46m
    ISBN-10: 8588953064
    Português Brasileiro

    A trajetória de um controvertido jornalista e líder político, deputado e governador da Guanabara, cuja irredimível vocação oposicionista esteve por detrás do suicídio de Getúlio Vargas, das turbulências do mandato de JK, da renúncia de Jânio Quadros e da deposição de João Goulart. E que acabou cassado pelo golpe militar que ajudou a articular em março de 1964.

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    Antonio Eudes Barbosa e Silva Júnior18/05/2026Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Demolidor de presidentes

    E o título faz jus ao personagem. Lacerda contribuiu diretamente para a queda de Getúlio Vargas, para o desgaste de João Goulart, para o clima que levou ao golpe de 1964 e para muitas outras crises e polêmicas da política brasileira. E é curioso… já faz anos que eu não leio um livro ‘por acaso’. Este aqui é mais um daqueles que vêm de uma antiga inquietação. Tudo começou há mais de vinte anos, quando eu estudava para concursos. Sempre que os livros chegavam na parte da Era Vargas, lá estava o nome dele: Carlos Lacerda. E sempre me chamava atenção, de forma negativa. Eu pensava: Como pode? Como ele fazia isso? Como podia ser tão baixo, tão agressivo, tão contraditório? A curiosidade crescia, mas eu nunca tinha lido uma obra dedicada só a ele. Mais recentemente, depois de ler a biografia de Getúlio Vargas escrita por Lira Neto, essa inquietação voltou com força. E aí não teve jeito: comprei o livro. Agora mergulhei nessa história, e vou dizer: desperta indignação. É impressionante o que Lacerda fazia, o que dizia, a forma como atacava todos, sem exceção: adversários, aliados, amigos, quem estivesse no caminho. Tem até momentos curiosos. Por exemplo: em certo trecho, ele acusa João Goulart de ser dono de uma ‘casa de lenocínio’. Eu nunca tinha ouvido essa palavra. Fui ao dicionário e, quando descobri que era basicamente um… cabaré, eu ri sozinho. Mas o que realmente me chamou atenção não foi isso. Foi perceber que, mesmo com 50, 60 anos de distância… muita coisa da nossa vida política simplesmente se repete. Os discursos, os ataques, as perseguições, as estratégias, só mudam os rostos.

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