Crossovers. Qual é o maior problema deles? É que, na maioria deles, a proposta se encerra na própria premissa. Mais ou menos assim: "UAU, imagina se o Superman encontrasse o Quarteto Fantástico, não seria demais?" Então, fazem uma história em que o Superman encontra o Quarteto Fantástico e... bom, é praticamente só isso o que acontece. O inusitado encontro entre personagens de universos diferentes se basta e a história não precisa ter nada além disso. Claro que há exceções. Você pode começar com "UAU, imagina uma história em que os Vingadores encontrasse a Liga da Justiça" e continuar com "e imagine que a gente usasse esse encontro para explorar as diferenças conceituais entre os dois universos, os heróis da DC mais oficialistas e os da Marvel mais marginalizados", dali indo para "e imagine se a gente misturasse Liga e Vingadores de diferentes épocas e de outras formações, brincando de fundir e separar os universos, para falar de questões como bem-estar individual x coletivo e o verdadeiro heroísmo"...bom, aí você tem um crossover imbatível, que foi o da Liga X Vingadores.
Infelizmente, este Spider-Men está mais próximo do primeiro tipo. O único barato da história é ver o encontro dos dois universos. Como Peter reage ao conhecer o universo Ultimate, onde ele está morto, foi substituído e seus parentes, amigos e amores são pessoas mais novas e ligeiramente diferentes daquelas que conheceu. Como é para Miles conhecer ao vivo uma versão envelhecida do herói que o inspirou? Não acontece nada propriamente marcante nesses encontros, o que não quer dizer que a história não tenha lá o seu charme para quem conhece bem esses personagens. Fica claro que Bendis escreveu, provavelmente por imposição editorial, uma história leve e despretensiosa, quase boba, ainda que muito bem ilustrada por Sara Picheli. O fato de ter escolhido um vilão assumidamente mequetrefe como Mysterio reforça que Bendis nunca pretendeu grandes coisas com isso aqui. É uma historinha que ninguém vai morrer se não puder ler, mas que dá para ler sem a sensação de que foi uma perda irremediável do seu tempo.