Natascha Kampusch - A Rapariga da Cave

    Michael Leidig, Allan Hall

    Difel
    2007
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9789722908252
    Português Brasileiro

    Foi raptada a caminho da escola. Oito anos depois, a sua história chocou o mundo inteiro. «Receio que fique, para sempre, um pedaço da masmorra dentro de Natascha que, pela vida fora, a leve a sentir-se amarrada, quando a abraçam, e a desconfiar de todos aqueles que gostem de si (sobretudo, aqueles que, apesar de a amarem, não foram capazes de ir até ao fim do mundo para a resgatar). Eduardo Sá in prefácio Quando Natascha Kampusch decidiu correr para a liberdade, a 23 de Agosto de 2006, após oito anos de cativeiro numa casa aparentemente normal dos subúrbios da Áustria, a história desta rapariga horrorizou e chocou o mundo inteiro… Como suportou ela a infância fechada numa cave? Que tipo de rapariga de lá saiu? Que género de homem era Wolfgang Priklopil, o raptor de Natascha, e o que lhe terá ele obrigado a fazer? À medida que o tempo foi passando, e como a entrevista de Natascha na televisão não foi totalmente esclarecedora, as questões começaram a mudar. Qual era exactamente o relacionamento entre raptor e raptada? Por que razão Natascha esperou tanto tempo para fugir, quando parece ter tido antes outras oportunidades? Os pais de Natascha já conheciam Priklopil antes de este lhes raptar a filha? Allan Hall e Michael Leidig seguiram, desde o início, a história do desaparecimento da menina de 10 anos. Falaram com investigadores da polícia, advogados, psiquiatras e familiares próximos de Natascha. Até onde era possível, os autores tentaram esclarecer todo este relato chocante. Com muitas revelações exclusivas, NATASCHA KAMPUSCH – A Rapariga da Cave é o primeiro livro a investigar o que realmente se passou e como é que Natascha sobreviveu. Uma história que desafia os limites da compreensão que temos acerca do comportamento dos seres humanos – e que nos perturba pela situação vivida por uma criança apanhada numa história de terror quase para além da nossa imaginação. «O primeiro livro sobre os oito anos de sequestro da austríaca traz revelações chocantes. E levanta umas quantas dúvidas.» Visão «Um notável trabalho de reportagem. A Rapariga da Cave impressiona. Em algumas passagens arrepia. Lê-se depressa, de um fôlego, com a curiosidade de quem espreita um acidente de viação. Porém, felizmente, não se tropeça em pieguice. No final, é muito natural que quem tem filhos sinta um certo desconforto e alguma tendência para a paranóia. E se fosse o meu filho? E se o meu vizinho do lado for um sequestrador de crianças? E se um dos meus filhos desaparece, na primeira distracção? E se?» Diário de Notícias «Pormenores de um rapto que emocionou o mundo. Dois jornalistas seguiram, desde o início, a história do estranho desaparecimento da jovem austríaca. Conversaram com várias pessoas ligadas ao processo, com os pais de Natascha, polícia, advogados e psiquiatras. Em livro, revelam agora contornos inéditos dos oito anos de cativeiro.» Flash «Com base nas declarações de Natascha, os jornalistas descrevem o quotidiano da jovem entre Março de 1998 e Agosto de 2006, dando conta dos esforços que, paralelamente, iam sendo efectuados para a localizar.» Tal & Qual «Uma rigorosa investigação jornalística que nasce com o objectivo de esclarecer as muitas inconsistências que ainda subsistem sobre o caso.» The Guardian

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    Arthur16/03/2010Resenhou um livro
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    Livro sobre Natascha Kampusch descreve vida da "rapariga da cave"

    Diário de Notícias Sociedade 26 Fevereiro 2007 por Sónia Morais Santos Não. Ainda não é desta que fica satisfeito um certo apetite pelo grotesco que mora em cada um de nós. A Rapariga da Cave conta muitos detalhes sobre a vida de Natascha Kampusch - a rapariga que foi raptada aos 10 anos e que cresceu numa cave de onde só fugiu aos 18 - mas ainda não revela se ela foi ou não abusada sexualmente, ou se houve mesmo, como chegou a especular-se, um relacionamento sexual "consentido" entre sequestrador e sequestrada. Os indícios estão todos lá, mas ainda não são dados como certos. Não admira. Durante dez anos, o que se passou no n.º 60 da Heinestrasse só duas pessoas sabem: Wolfgang Priklopil e Natascha Kampusch. O primeiro suicidou-se e a segunda parece determinada a manter secretos muitos episódios da sua peculiar vida. A Rapariga da Cave, agora editado em Portugal pela Difel, impressiona. Em algumas passagens arrepia. Lê-se depressa, de um fôlego, com a curiosidade de quem espreita um acidente de viação. Porém, e felizmente, não se tropeça em pieguice. No final do livro, é muito natural que quem tem filhos sinta um desconforto e alguma tendência para a paranóia. E se fosse o meu filho? E se o meu vizinho do lado for um sequestrador de crianças? E se um dos meus filhos desaparece, na primeira distracção? E se? O livro impressiona mas, na verdade, seria difícil que não o fizesse. A história de Natascha Kampusch é suficientemente condimentada para que qualquer livro prenda o leitor da primeira à última página. De qualquer modo, não seria justo limitá-lo ao relato de uma história única. A obra dos jornalistas Allan Hall e Michael Lidig é um notável trabalho de reportagem, com largas dezenas de testemunhos, desde agentes policiais a membros da família de ambos os envolvidos, psiquiatras, psicólogos, vizinhos, etc. Os autores são exaustivos mas não aborrecem. Começam por descrever a infância difícil de Natascha. As discussões dos pais, a separação, as constantes saídas da mãe e consequentes períodos em que ficou sozinha, os amantes da mãe e a suspeita de ter sido vítima de abusos sexuais. De resto, os jornalistas trazem a lume algumas fotografias a que a polícia teve acesso e que levantam uma suspeição sobre o que pode ter sido a infância de Kampusch: "Quase nua, com botas altas e apertadas, um chicote de montar e um minúsculo top que lhe chega apenas a meio do estômago, parece pouco à vontade enquanto olha para a esquerda, em direcção ao chão. Noutra fotografia, está nua na cama, embrulhada apenas numa estola de pele falsa." Priklopil também não terá tido uma infância feliz. Segundo as investigações dos jornalistas Allan Hall e Michael Leidig, o pai teria algum desgosto por ter um filho "sensível e tímido", que fez chichi na cama até tarde, e só se interessava por fazer puzzles ou maltratar animais. Em adulto, todas as pessoas que os autores do livro entrevistaram referem o mesmo: Wolfgang Priklopil era alguém em quem não se reparava, "era invisível, apesar de bem parecido". Era o "senhor ninguém perfeito" para cometer um crime perfeito. Mas o capítulo mais interessante é, sem dúvida, o da vida de Natascha num quarto com cerca de cinco metros quadrados, numa cave, onde uma porta de 15o quilos por detrás de um louceiro a isolava do mundo. Quem decidia se havia luz ou se estava escuro como breu era o sequestrador e até o ar que Kampusch respirava era controlado pelo seu raptor: "Quando estava escuro, à noite, ou quando Priklopil desligava a luz num acesso qualquer de má disposição, assemelhava-se à total provação dos sentidos." Foi a própria Natascha quem disse: "Não havia Primavera, Verão, Outono ou Inverno." A relação entre os dois terá sidode uma complexidade difícil de compreender. Ou, para os especialistas, talvez não. Apesar de ter fugido, Natascha chorou quando soube da morte do homem que lhe roubou a infância. E há agora rumores de que quer ficar a viver na casa onde esteve sequestrada. "A rapariga da cave quer a sua masmorra de volta", afirmam os autores do livro. Sobre um possível envolvimento sexual entre os dois, Natascha recusou-se sempre a falar. E a forma como decide o que dizer, quando dizer e como dizer aos media é supreendente. Kampusch surge aos olhos de todos como uma mulher fria. Segura. Arrogante. O psicólogo Eduardo Sá, que escreve o prefácio, explica: "A frieza é o congelador do desespero. Evita que a dor que sentimos nos faça desabar como um castelo de cartas". O livro A Rapariga da Cave desvenda muito sobre a história de Natascha Kampusch. Mas o labirinto dos seus 3096 dias de cativeiro continua - e continuará - escondida dentro da sobrevivente. Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=653467

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