Nesse livro pequeno e muito agradável de se ler, Wheen nos conta a história de como a obra prima de Marx foi possível. O livro demorou vários anos para ser escrito e Marx sempre desejou que vissem o livro como uma obra artística.
Apesar de O Capital ser muito bem escrito, Marx nunca é colocado entre os grandes escritores, o que é uma injustiça, já que o livro trata de economia, um tema difícil, e contém inúmeras fórmulas matemáticas, e mesmo assim é ótimo de ser lido.
Marx desde a juventude falava sobre o fenômeno da alienação: " nem sempre podemos alcançar a posição à qual acreditamos estar destinados". Ele completa: "de certo modo, nossas relações na sociedade começaram a ser estabelecidas antes mesmo de termos condições de determiná-las". Para Marx, as condições familiares, morais e psicológicas que determinam o nosso futuro estão subordinadas às condições econômicas da sociedade em que vivemos.
A ajuda financeira de Engels, cuja amizade e lealdade a Marx impressionam, e as aulas de economia no museu Britânico, foram determinantes para que O Capital fosse escrito.
Marx é muito enfático em sua denúncia do trabalho infantil. Wheen demonstra que a tese de Marx sobre o progressivo empobrecimento do proletariado no regime capitalista é válida. Isso acaba sendo percebido quando o trabalho torna-se cada vez mais distante do capital, não importa quantos carros os trabalhadores possam comprar. Marx afirma uma coisa que é válida até hoje: a de que o capitalista não busca a redução da jornada de trabalho, mas a diminuição do tempo de trabalho necessário para produzir uma mercadoria.
No capítulo Vida Póstuma, a influência que O Capital teve no mundo, especialmente na Rússia, é analisada. Enquanto Lenin restringia O Capital a um aspecto puramente econômico, os marxistas ocidentais colocavam ênfase na cultura, instituições e linguagem. Com as crises econômicas que vivemos atualmente no mundo, a observação de Wheen de que Marx possa ser o pensador mais influente do século XXI pode ser verdadeira.