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    Amado meu - precedido de Atos impuros

    Pier Paolo Pasolini

    Brasiliense
    1984
    190 páginas
    6h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.3
    25 avaliações
    Leram42Lendo2Querem30Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos3Desejados30Avaliaram25

    "Lendo essas histórias - romances curtos, novelas, confissões de um amor muito pessoal: que importa o nome? - ficaram muitas coisas na minha cabeça. Antes de mais nada, a culpa que atormentava Pasolini por esse amor que chamam de homossexual. E o seu impulso em direção ao prazer de repente e sempre cortado pelo proibido de fora ou de dentro de nós. Fico pensando que, se existe alguma forma de modificar o mundo e as organizações sociais repressoras dentro dele, uma das mais eficientes talvez seja a dos poetas. Quando abrem o coração para, devagar e sofregamente, mostrar aos outros tudo o que se passa dentro dele. É nesse momento que conceitos como moral, certo errado, bem ou mal deixam de ter sentido. Fica, no final de tudo, só a vida que flui e reflui sem nome, imensa." Caio Fernando de Abreu

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    erased28/07/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Perfeito com todas suas imperfeições

    Pasolini é poeta, cineasta, ator, político, ensaísta, romancista e jogador de futebol. Aqui nesse seu romance o jovem Paolo (em atos impuros) e Desiderio (Amado meu) jovens da cidade grande entram em contato com camponeses seja por motivo da guerra, seja por motivo nenhum. Em Atos impuros, o jovem Paolo e sua mãe são professores de jovens e crianças num vilarejo do interior italiano. O pai e o irmão partiram para a guerra (2a guerra mundial), Paolo se apaixona pelo inocente Nisiuti. Um jovem camponês trabalhador que se esforça para duvidir seu tempo com os estudos, e que admira o talento de Paolo. Os atos impuros do título se referem à fascinação do jovem professor de vinte e poucos anos por seus alunos e os jovens do vilarejo. O texto começa como um diário depois uma narrativa em terceira pessoa. Explora recursos poéticos, descrições e a realidade da Itália que buscava se distanciar do fascismo, da guerra e da morte. Os vilarejos em festa, crianças estudando, trabalhando e brincando, trabalhadores do campo dedicados, tudo isso podia num instante mudar com o barulho de aviões bombardeiros, a invasão de tropas alemãs e a chegada de mensagens sobre possíveis feridos ou mortos. Pasolini escreve um relato semiautobiográfico. Parte de sua vida no campo foi de fuga da guerra, mortes na família em razão da guerra, voltando-se para a preocupação com a gente do campo, sua lingua dialetal, seus costumes, seu sofrimento, suas (im)perfeições, aprendizados e alegrias. O romance Amado meu, que também poderia ser chamado Atos impuros tem o título tirado de uma canção do filme Gilda com Rita Rayworth. Filme que os jovens do vilarejo assistem entusiasmados. Desiderio não é professor. Mas é um jovem de cidade grande que chega ao campo com um amigo da mesma idade (Gilberto) e fascina e sente fascinação pelos jovens locais. Desiderio é desejo em italiano. Seu desejo pelo jovem Benito (homônimo do ditador que ele insiste em esquecer convertendo-o em Iasis, herói do livro que estava lendo) nada tem da relação professor-aprendiz do primeiro romance Atos impuros. É um amor Eros mais do que Ágape. Uma paixão. Não uma devoção ou uma amizade solidária e apaixonada como no primeiro romance. Pasolini nunca é apelativo. Mostra os jovens como são com seus defeitos e virtudes, impulsos e falhas. Além do que, ele viveu tudo aquilo. Aquele mundo injusto, com seus raros momentos de festas, de guerra e de paz. Dá vontade de reler.

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    Pier Paolo Pasolini

    Pier Paolo Pasolini (Bolonha, 5 de março de 1922 — Óstia, 2 de novembro de 1975) foi um cineasta, poeta e escritor italiano. Em seus trabalhos, Pasolini demonstrou uma versatilidade cultural única e extraordinária, que serviu para transformá-lo numa figura controversa. Embora seu trabalho continue a gerar polêmica e controvérsia até hoje, enquanto Pasolini ainda era vivo, seus trabalhos foram tidos como obras de arte segundo muitos pensadores da Cultura italiana.

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    Pier Paolo Pasolini