Pasolini é poeta, cineasta, ator, político, ensaísta, romancista e jogador de futebol. Aqui nesse seu romance o jovem Paolo (em atos impuros) e Desiderio (Amado meu) jovens da cidade grande entram em contato com camponeses seja por motivo da guerra, seja por motivo nenhum. Em Atos impuros, o jovem Paolo e sua mãe são professores de jovens e crianças num vilarejo do interior italiano. O pai e o irmão partiram para a guerra (2a guerra mundial), Paolo se apaixona pelo inocente Nisiuti. Um jovem camponês trabalhador que se esforça para duvidir seu tempo com os estudos, e que admira o talento de Paolo. Os atos impuros do título se referem à fascinação do jovem professor de vinte e poucos anos por seus alunos e os jovens do vilarejo. O texto começa como um diário depois uma narrativa em terceira pessoa. Explora recursos poéticos, descrições e a realidade da Itália que buscava se distanciar do fascismo, da guerra e da morte. Os vilarejos em festa, crianças estudando, trabalhando e brincando, trabalhadores do campo dedicados, tudo isso podia num instante mudar com o barulho de aviões bombardeiros, a invasão de tropas alemãs e a chegada de mensagens sobre possíveis feridos ou mortos. Pasolini escreve um relato semiautobiográfico. Parte de sua vida no campo foi de fuga da guerra, mortes na família em razão da guerra, voltando-se para a preocupação com a gente do campo, sua lingua dialetal, seus costumes, seu sofrimento, suas (im)perfeições, aprendizados e alegrias. O romance Amado meu, que também poderia ser chamado Atos impuros tem o título tirado de uma canção do filme Gilda com Rita Rayworth. Filme que os jovens do vilarejo assistem entusiasmados. Desiderio não é professor. Mas é um jovem de cidade grande que chega ao campo com um amigo da mesma idade (Gilberto) e fascina e sente fascinação pelos jovens locais. Desiderio é desejo em italiano. Seu desejo pelo jovem Benito (homônimo do ditador que ele insiste em esquecer convertendo-o em Iasis, herói do livro que estava lendo) nada tem da relação professor-aprendiz do primeiro romance Atos impuros. É um amor Eros mais do que Ágape. Uma paixão. Não uma devoção ou uma amizade solidária e apaixonada como no primeiro romance. Pasolini nunca é apelativo. Mostra os jovens como são com seus defeitos e virtudes, impulsos e falhas. Além do que, ele viveu tudo aquilo. Aquele mundo injusto, com seus raros momentos de festas, de guerra e de paz. Dá vontade de reler.