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    A Travessia -

    Roberto de Sousa Causo

    Hiperespaço
    2009
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.3
    4 avaliações
    Leram6Lendo0Querem2Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados2Avaliaram4

    Roberto de Sousa Causo lançou, com “A sombra dos homens” (Devir, 2004) um extraordinário universo ficcional nacionalista, o de Tajarê, um índio amazônico, mas de uma Amazônia pré-cabralina e mágica. Faz lembrar o Inuyasha, herói de um Japão feudal alternativo, cheio de magia e monstruosidades. Tajarê parece que também tem qualquer coisa de Conan: o herói hercúleo mas sem magia, que age em meio a forças mágicas às quais até certo ponto é imune. O livro inicial é repleto de ação, com o Mboitatá desembestando pelo Rio Amazonas e atacando o reduto das icamiabas (as lendárias guerreiras que deram nome ao rio). Existe também a presença da feiticeira viking Sjala, que se casa com Tajarê. “A travessia” (Nova Coleção Fantástica, 6 – São Bernardo do Campo, SP, 2009 – selo Hiperespaço) é uma noveleta que dá prosseguimento à saga. Com seu estilo rico e seguro Causo vai tecendo uma epopéia admirável, plena de detalhes e com vocabulário extenso. Tajarê e Sjala, separados da tribo após a batalha no Rio Amazonas, tentam retornar para casa, para a Aldeia do Coração da Terra, mas esbarram com o Povo das Águas Escuras e com jabutis gigantescos, cujo interior abre para outros mundos ou dimensões, num autêntico detalhe de ficção científica. O ponto alto da história é o confronto com um megatério, animal pré-histórico, espécie de preguiça gigante e dotada de garras perigosíssimas. A história termina com o final em aberto, sinal evidente de que Causo pretende continuar com a saga de Tajarê, espécie de herói de poucas palavras e de comportamento em linha reta, reservado e determinado. O livro conta com ilustrações do próprio autor e prefácio do editor César Silva. Falta, porém, um apêndice, onde Causo deveria esclarecer alguns tópicos, palavras indígenas, elementos folclóricos — as icamiabas, o mapinguari, a mati-taperê, o muiraquitã. O livro pede esse apêndice, se o objetivo é incentivar os leitores no conhecimento das riquezas do nosso folclore. Novela altamente meritória no quadro da fantasia brasileira, prosseguindo a tradição de Thales Andrade (“Itaí, o menino das selvas”) e outros autores, ainda poucos.

    Resenhas (1)Ver mais
    Alvaro Alipio Lopes Domingues picture
    Alvaro Alipio Lopes Domingues03/09/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Continuando a Saga de Tajarê

    Título: A Travessia Autor: Roberto se Souza Causo Editora: Hiperespaço (amadora) / Coleção Fantástica Páginas: 80 Ano: 2009 Sinopse: Em continuação ao livro A Sombra dos Homens, A Travessia segue contando a saga de Tajarê, herói épico pré-cabralino, e Slaja, sacerdotisa viking que cá aportou em busca de libertar Loki. No decorrer da ação, Slaja foi capturada por Tajarê, que a tomou como esposa. Slaja deixa aldeia mas é feita prisioneira das amazonas. Nesta noveleta, Tajarê e Slaja, agora juntos, mas ainda separados por suas missões diferentes, tem que retornar a sua aldeia, em meio ao caos gerado por Tajarê ao invocar forças mágicas para libertar sua amada. Hiperespaço é um fanzine importante para a segunda onda de Ficção científica, revelando alguns autores, entre eles Roberto de Souza Causo, que ainda militam no meio. Entre as contribuições está a Coleção Fantástica que teve uma coleção de pequenos livros lançada em 1999 e retomada recentemente, com alguns lançamentos, entre eles, A Travessia. Notamos aqui ainda presentes as principais boas características apontadas em A Sombra dos Homens, que continuam a merecer a atenção de uma boa editora e da leitura livre de preconceitos por parte dos leitores. O desinteresse da Devir, que continua a prestigiar o autor em outras publicações, se deve provavelmente pela ausência de leitores. Por que um livro bem escrito não encontra eco nos leitores? O livro tem tudo para agradar o leitor em busca de aventura. Feitos heróicos. Perigos imensos. Intriga e amor. Espada e magia, ou melhor, borduna e feitiçaria. Resta infelizmente constatar que o leitor urbano não se sente atraído por um herói que é um índio brasileiro. O gênero Borduna e Feitiçaria continua esperando por seu público e Roberto Causo ainda espera um destino melhor para seu herói.

    1 curtida

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    Avaliações

    3.3 / 4
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas25%
    • 1 estrelas0%
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    Roberto de Sousa Causo

    Roberto de Sousa Causo, formado em Letras pela USP, é autor dos livros de contos A Dança das Sombras (1999) e A Sombra dos Homens (2004), dos romances A Corrida do Rinoceronte (2006) e Anjo de Dor (2009) e do estudo Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil (2003). Seus contos apareceram em revistas e livros de dez países. Foi um dos classificados do Prêmio Jerônimo Monteiro e no III Festival Universitário de Literatura (com Terra Verde 2001);

    91 Livros
    36 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Roberto de Sousa Causo