Publicado originalmente em Portugal pela Tinta-da-China, em 2016, Víveres é um livro sobre trabalhos, mas também sobre morada, habitação, casa, quarto, telhado, terraço, cave, sótão, rua, esquina, zona. Para o crítico Gustavo Rubim, em nota ao jornal Público, "o melhor que se pode dizer de Víveres é que é um livro cujos poemas suscitam menos o desejo de interpretar ou de comentar do que a vontade de os aprender de cor. Mas isso é mesmo o melhor que se pode dizer de um livro de poesia". O livro, agora publicado no Brasil, marcando a estreia do poeta português no país, é o quinto e último volume d'A Colecção. Segundo Ederval Fernandes, que assina o posfácio da versão brasileira da obra, "não seria um despropósito dizer que uma das vontades que constrói Víveres está nessa urgente (por que sentimental e humana) necessidade de medir a desmensura do mundo, sua simultânea abundância e escassez: 'é vasto sim o mundo mas onde” ou “como dar conta de penúria tão vasta, forma, sentido, (...)'. E que a régua com a qual o poeta mede este mundo também está sob olhos reflexivos, está sob dúvida. A régua é ele mesmo, a sua capacidade e incapacidade de agir falando e falar agindo. A medida do poeta é uma medida errática, imperfeita, porque a abrangência e a efetividade do que é medido por ele está sempre e sempre em xeque. No entanto seguirá o trabalho da medição e da meditação, pois é necessário ocupar o tempo em que se está vivo".
Víveres (A Colecção #5) -
Miguel Cardoso
Edições Macondo
2019
92 páginas
3h 4m
ISBN-13: 9788593715303
Português
Edições (1)
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