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    Doutor Pasavento -

    Enrique Vila-Matas

    Cosac Naify
    2009
    412 páginas
    13h 44m
    ISBN-13: 9788575038734
    Português Brasileiro
    4.3
    66 avaliações
    Leram116Lendo6Querem189Relendo0Abandonos5Resenhas5
    Favoritos10Desejados189Avaliaram66

    De onde vem a sua paixão por desaparecer?, pergunta alguém ao narrador de Doutor Pasavento logo na abertura do romance, um dos mais premiados da exitosa carreira literária de Enrique Vila-Matas. Neste que é o sexto livro do autor catalão publicado pela Cosac Naify, a sua fixação por desaparecer, não ser ninguém, a atração pelo abismo, pelo nada, é explorada de maneira radical. Na trama, encontramos Andrés Pasavento em um momento de instabilidade emocional: abandonado pela esposa, perdeu a filha, morta após uma overdose de heroína, e os pais, que se suicidaram afogando-se no Rio Hudson. O personagem, um romancista medianamente conhecido, acaba de ser convidado para um encontro literário, em Sevilha, mas no meio do percurso decide sumir, desaparecer da vista dos conhecidos. Ele passa a inventar relatos ficcionais sobre seu passado ao mesmo tempo que persegue um antigo professor, que vive o resto de seus dias num sanatório. Escrito em 2005 e ganhador dos prêmios da Real Academia Española (2006) e Mondello – Città di Palermo (2009), Doutor Pasavento é sobretudo uma elegia da discrição (ser grande é saber ceder o seu lugar a outro) e homenagem a escritores como J.D. Salinger, Thomas Pynchon e Robert Walser, autores que, de alguma forma, atingiram a invisibilidade.

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    jota 11 picture
    jota 1117/06/2015Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Passou...

    Autor cult, conhecido como escritor de escritores, Enrique Vila-Matas faz de Doutor Pasavento uma obra de culto ao escritor suíço Robert Walser, citado centenas de vezes aqui. Também presentes em muitos trechos estão J. D. Salinger, Thomas Pynchon e outros autores avessos ao público ou muito discretos quanto a suas vidas privadas. O livro apresenta doses cavalares de metalinguagem e todos esses escritores conhecidos e outros nem tanto comparecem para exemplificar aquilo que Vila-Matas entende por “desaparecimento”. O personagem aqui é um escritor atormentado pelo excesso de exposição ao público que deseja obter privacidade e então inventa uma série de outros “eus” para apagar – ou fazer desaparecer – sua vida pregressa e a atual. Parece um pouco confuso por vezes, exige bastante atenção na leitura e mesmo que você não se perca nessa jornada literária, a coisa se torna um tanto cansativa, fazendo com que o livro pareça longo demais, quando na verdade tem cerca de quatrocentas páginas. Contudo há referências a filmes, canções e livros conhecidos, são muitas citações deles extraídos, então dá para ir levando, chegar ao final. Doutor Pasavento tem tudo para agradar estudantes, professores e especialistas em literatura e também leitores que buscam obras originais. O crítico José Castello (em Sábados Inquietos, que também leio no momento) vai mais longe e diz que o livro é “perturbador”. De todo modo, não de outro autor mas do próprio Vila-Matas recolhi uma frase lapidar, que diz muito sobre sua escrita: "A literatura consiste em dar à trama da vida uma lógica que ela não tem." Entendeu? Lido entre 08 e 17/06/2015.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 66
    • 5 estrelas55%
    • 4 estrelas26%
    • 3 estrelas15%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Enrique Vila-Matas profile picture

    Enrique Vila-Matas

    Enrique Vila-Matas (Barcelona, 1948) é um escritor espanhol. Nasceu em Barcelona em 1948. Em 1968 foi viver para Paris, auto exilado do governo de Franco e à procura de maior liberdade criativa. O apartamento onde se instalou foi-lhe alugado pela escritora Marguerite Duras. Durante esse anos subsistiu realizando pequenos trabalhos como jornalista para a revista "Fotogramas", e chegou a colaborar como figurante em Estoril num filme de James Bond. Vila-Matas publicou o seu primeiro livro, "La Asesina Ilustrada", em 1977, e desde então não mais deixou de escrever pois, segundo ele, "escrever é corrigir a vida, é a única coisa que nos protege das feridas e dos golpes da vida." Com a publicação de "História Abreviada da Literatura Portátil" começou a ser reconhecido e admirado no âmbito internacional, especialmente nos países latino-americanos, França e Portugal. As suas obras são uma mescla de ensaio, crônica jornalística e novela. A sua literatura, fragmentária e irônica, dilui os limites entre a ficção e a realidade. Desenvolveu uma ampla obra narrativa que se inicia em 1973 e que, até à data, foi traduzida para 29 idiomas. Atualmente é um dos narradores espanhóis mais elogiados pela crítica nacional e internacional.

    42 Livros
    80 Seguidores

    Enrique Vila-Matas