Todas as manhãs Leo acorda sem possuir noção alguma de onde vive ou de quem é. Desde que contraiu uma rara doença anos atrás, Leo sofre de ambos os tipos conhecidos de amnésia, retrograda e anterógrada, não possuindo recordação de seu passado enquanto sua mente é incapaz de armazenar novas informações durante mais de um dia. Tudo absorvido durante esse período é apagado quando ele dorme. Sem qualquer capacidade de ser independente, o rapaz é criado e acompanhado por sua avó, Vivian, e seu irmão mais velho, Daniel, durante os 9 dias que o seguimos no livro. Entre Ontem e Amanhã conta a história do homem prisioneiro do presente. Leo é uma página completamente vazia de possibilidades cada vez que desperta, dando significado único, e muitas vezes distorcido, tanto a si quanto a cada mínimo detalhe das fragmentadas e isoladas versões de São Paulo que o limitam, desconstruindo e construindo o que atravessa seus sentidos enquanto busca algum pertencimento. Página, porém, sempre descartada ao final de cada dia.

