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    Aventuras Geriátricas - As 15 Melhores Rotas Para Motocicleta nos Estados Unidos da América

    Hélio Rodrigues Silva

    Lura Editorial
    2019
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-13: 9786580430406
    Português Brasileiro
    5
    2 avaliações
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    Após descobrir o motociclismo aos 67 anos de idade, em 2009, um avô experimentou uma mudança radical em sua vida: o desafio de manter-se equilibrado sobre a motocicleta de seus sonhos infantis ao mesmo tempo que a estrada à frente oferecia infinitas alternativas. O corpo e alma rejuvenesceram e a paixão pelas motos resultou em muitas viagens em busca do tempo perdido. Esta viagem, em que foram percorridos 24.000 km, levaram-no a cruzar 28 estados norte-americanos, atravessar os desertos de Nevada e Mojave, conhecer pessoas fantásticas, locais históricos, participar de eventos e, principalmente, deixar virem à tona emoções que assaltam aqueles que se sabem vivendo momentos únicos e especiais. Assim foi que ele riu, orou e chorou sem nenhum pudor. Afinal, seria apenas um diário para as netas, e elas entenderiam. Só eu sei o quanto ele resistiu para transformá-lo em livro. Espero que vocês também o compreendam. Hélio Rodrigues Silva é brasileiro, nascido em 13 de outubro de 1942 no Rio de Janeiro. Em 2009, aos 67 anos de idade, viúvo, aposentado, morando em Cabo Frio/RJ, perto de filhos e netas, obedecendo a um insensato impulso, característico dos Rodrigues Silva, sem jamais ter pilotado uma moto, adquiriu uma Kawasaki Vulcan Classic 800. Então tudo ficou claro: dúvidas se dissiparam, questionamentos foram respondidos, ausências preenchidas e teve a certeza de que o horizonte é logo ali após a próxima curva. A experiência é tão rica e palpável, que busca descrevê-la, para que um dia suas netas, quem sabe, sigam seu rastro, sabendo que felicidade é uma quimera, mas tendo a certeza de que poucos estiveram tão perto dela quanto seu avô.

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    Allysson Falcon picture
    Allysson Falcon02/01/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Leitura apaixonante... exemplo de vida...

    Normalmente a época de fim de ano, as Festas, e o pacote completo do período, costumam me encontrar ainda mais emotivo do que sou normalmente. Amigos e familiares mais próximos sabem que, apesar da minha profissão, da minha cara carrancuda e do meu aparente mau humor, no fundo mesmo eu sou um sentimental. Hoje em dia isso soa absolutamente cafona e fora de moda, piegas mesmo. Mas eu sigo fiel ao meu espírito, como meu poeta favorito, Jim Morrison, me ensinou. O fato de andar numa mítica Harley barulhenta apenas reforça meu aspecto “malvadão”. Mas hoje esse malvadão enfrentou uma profusão de ciscos que insistiram em pulular em meus olhos. Como um certo cantor já disse, as emoções são muitas e o importante é vivê-las. Vou explicar o motivo desse arroubo emocional de hoje, quase madrugada em mais um plantão policial da minha rotina: terminei de ler o livro do grande Helio Rodrigues Silva, “Aventuras Geriátricas – As 15 Melhores Rotas Para Motocicleta nos Estados Unidos da América”. Li esse texto apaixonante em duas sentadas. Quando gosto do que estou lendo já começo a viver a temida depressão do término do livro ao perceber as páginas passarem, uma a uma, e não nos sentirmos capazes de largar o encantador alfarrábio. O livro do Hélio é muito mais do que um relato de viagens de moto, que o título faz parecer. A verve literária e o lirismo com que o autor nos brinda, a preocupação com os detalhes e o rigor histórico de cada rota, das 15 percorridas, além do refinado e delicioso humor são puro deleite para os leitores. O Hélio nos leva na garupa da Helô enquanto eles percorrem as belas estradas, contornando famosos rios e montanhas, passando pela riquíssima história dos USA, ao mesmo tempo que, vez por outra, faz algumas comparações com nossa realidade brazuca e divaga sobre as mazelas que todos nós, brasileiros sérios, sabemos que enfrentamos. O texto do Hélio é revigorante. Faz a gente querer largar tudo e meter a moto na estrada, rumo à sonhada América gringa. Tendo dois terços da idade do autor eu vi nele muito do meu pai, a começar pela retidão e dignidade de caráter demonstradas. Depois, o fato dos dois serem botafoguenses me deu boas e engraçadas lembranças, como por exemplo o quase piripaque que meu pai teve em 1987 no gol do Maurício, numa histórica conquista do time da Estrela Solitária. Além de tudo isso, tenho muito em comum com ele, como a paixão por viajar sozinho numa motocicleta. Quase sempre os não motociclistas têm dificuldades para entender essa vibe e somos quase sempre tachados de malucos ou coisa que o valha. Eu fiz questão de comparecer no lançamento do livro do Hélio em SP, tive a honra de comprar meu exemplar autografado e bati um rápido papo com o poeta decano das duas rodas. O evento foi concorrido, ele tinha de dar atenção a muita gente e eu não quis incomodá-lo com minhas perguntas. Como a Luciana Gualda escreveu tão bem no prefácio, “desfrutar da amizade do Hélio é um deleite que, felizmente, ele dá a muitos”, eu fiquei pensando que eu deveria tê-lo conhecido antes. E a gente fica com aquele raro comichão, quando conhecemos pessoas de alta estirpe, que parecem amigos que já vieram prontos, dado a elevada sintonia de corpo e alma. Talvez eu esteja sendo ousado. Peço perdão ao mestre se assim parecer. Mas desde o prólogo, onde ele nos apresenta sua amada “Helô”, e eu de forma instintiva fiz a analogia da minha tão querida “Gorda”, passando pelos relatos diários dessa grande aventura, das belas paisagens, dos caminhões de bombeiro sempre onipresentes (e a bela homenagem a seu pai e tios também bombeiros), pela curiosidade e assombro que o “Gato Cansado” causava nos gringos, pelas tiradas impagáveis... a gente termina o livro e quer ler outra vez... Ri aos borbotões em diversas passagens, como a menção a uma certa “ilha caribenha paradisíaca”, ou a um certo “verão da lata”, ocorrido nos anos 1980 no litoral fluminense, caí da cadeira ao ler sobre os “motorezinhos homoafetivos de quatro cilindros”, sua hilária luta épica travado com o aparelho de GPS, dentre tantas outras sacadas divertidíssimas. Quando ele se auto intitula um “velho cretino” isso me remeteu ao “velho safado”, Charles Bukowski, um de meus escritores favoritos. Descobri que também tenho em comum com ele a paixão por registrar em fotos os locais onde passamos. Sempre paro a moto ao ver algo que me agrade, tenho fixação por fotos de placas de estrada. Meus amigos costumam me chamar de “japonês”, numa menção à paixão irrefreável pela fotografia. Como ele, amo viajar sem pressa, solitário, ir descobrindo novos caminhos, etc. Infelizmente o trabalho e meus parcos fundos financeiros impedem Gorda e eu de aventuras mais ousadas e distantes. Espero me aposentar em 2025 e rodar o mundo na minha moto. E, enquanto muitos motociclistas sonham em fazer a famosa Route 66, eu, desde já, assumo meu sonho e meta futura de seguir os passos do Hélio, e fazer as 15 melhores rotas para motos nos USA. Que nosso amigo Hélio, permita chamá-lo dessa forma, que nosso amigo nos presenteie com novos livros, novos relatos de suas muitas outras viagens, você nos deixou mal acostumados. Como você mesmo diz, quando nos acostumamos com a mordomia sentimos falta ao ficar sem. Terei dificuldades de dormir amanhã, sabendo que não tenho novos relatos do Gato Cansado para ler... Meu caro “cafetão das palavras”, eu tinha intenção de escrever uma pequena resenha das Aventuras Geriátricas, mas acabei me alongando... espero que me perdoe pelos meus excessos... mas saiba que, eles são sinceros...

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