Ainda assim, eu senti que deveria pesar na cabeça minha própria experiência, que frequentemente as culturas mais urbanas, civilizadas e humanas tem ao menos um aspecto nelas que - mesmo comum a seus olhos - podem parecer perfeitamente horríveis à outras sociedades".
O primeiro livro de Michael Moorcock para a saga de John Daker, O Campeão Eterno, é um dos melhores que já li do autor. Tão bom quanto um livro do Príncipe Corum. O segundo, a "Fênix em Obsidiana", ainda que não mantenha o nível de excelência, é também excelente. O volume final, escrito em 1986, portanto treze anos após o segundo, infelizmente, cai um pouco mais ainda o nível. //// O livro tem seus bons momentos, mas é muito arrastado. Demora demais em alguns aspectos, mas também é muito criativo e bem escrito, como se espera de Moorcock. A criatividade aqui estava a toda com os Navios-Cidade, os Seis Reinos com seus nomes de travar a língua, os Príncipes Ursinos, um encontro com Hitler e Goebbles (os ridicularizando, adorei), as Cobras Fumaça, as supostamente canibais e escravocratas Mulheres Fantasmas. Ainda há a sugestão que Stormbringer e Mournblade tenham sido formadas das duas partes da Espada do Dragão e que os melniboneses sejam descendentes dos Eldren. Isso se Ereköse for o primeiro Campeão Eterno; mas ele pode também ser o último. //// Esse livro não é uma continuação direta do livro Fênix em Obsidiana, mas da HQ "As Espadas do Céu, as Flores do Inferno" e termina no último livro da segunda trilogia de Hawkmoon. //// Ainda que seja criativo, o livro possui muitas citações à personagens e passagens do Multiverso, como o Guerreiro em Amarelo e Preto, Os Guerreiros no Limiar do Tempo, o Arquiduque Balarizaaf e Lorde Sepiriz. Eu costumo gostar mais dos livros que desenvolvem aspectos do Multiverso, ao invés de eventos cómicos, alinhamentos de esferas, muito grandes. É o caso desse volume, que eu teria gostado mais se fosse menos arrastado. Em muitos momentos, o Conde Ulric Von Beck rouba a cena. Eu gostei muito do final desse livro, é esperançoso, mas não piegas. /////// Outras citações: ///// "Eu era um semideus nos Seis Reinos, um herói lendário por todo o multiverso, um nobre mito para milhões. Não obstante, tudo o que conhecia, era medo e terror". ///// "Às vezes eu acho que nosso mundo é algo como uma colônia para uma raça subdesenvolvida ou aleijada, que muitos acreditam no Multiverso como soberana". ///// *
