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    A Arte e a Maneira de Abordar seu Chefe para Pedir um Aumento -

    Georges Perec

    Companhia das Letras
    2010
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9788535916034
    Português Brasileiro
    3.8
    62 avaliações
    Leram97Lendo0Querem64Relendo0Abandonos2Resenhas5
    Favoritos7Desejados64Avaliaram62

    Só um homem que nunca comprou uma televisão e não sabe dirigir, como parece ter sido o caso de Georges Perec, pode conceber um estado progressivo de exasperação diante da vida prática como o que é relatado neste livro. Só um homem tão avesso ao chamado do consumo é capaz de provocar o riso do leitor diante de uma das situações ao mesmo tempo mais corriqueiras e constrangedoras da vida cotidiana nas sociedades que seguem à risca a cartilha do mercado. A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento é exatamente isso: uma bula às avessas. Um livro de antiajuda, que ensina a rir de si mesmo, nem que seja só para contrariar uma das principais tendências do mercado editorial num mundo reduzido a fórmulas matemáticas. Inspirado num organograma empresarial, Perec imaginou um jogo obsessivo de possibilidades cujo objetivo aparente seria evitar o pior — que por isso mesmo sempre acontece, a cada nova tentativa frustrada do protagonista, concebida como projeção exemplar e preventiva. À maneira de um manual antecipatório, o texto revela o ridículo das ações e das expectativas mais prosaicas do mundo do trabalho, por meio de sua repetição esquemática até o esgotamento. O leitor é o protagonista desse jogo combinatório de probalidades, que leva a obsessão pelas projeções matemáticas às raias do ridículo. Ao contrário dos manuais que ensinam a vencer na vida e fazer amigos num mundo onde mercado e realidade são sinônimos, este pequeno livro póstumo traduzido pelo premiado escritor Bernardo Carvalho mostra que não há regras nem limites para a imaginação literária.

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    tamicentrismo31/08/2023Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Revolucionário mas cansativo

    É necessário admitir a genialidade de Georges Perec ao escrever esse livro, uma pura e completa mistura entre organogramas e palavras. Uma obra literária que ultrapassa limites, renova o que pode ser a estrutura textual de um livro e no que ele pode se basear, indo além da temática padrão de enredo, personagens, espaço e tempo. O enredo é repleto da exploração de “e se…” e trata tudo como uma linha de raciocínio de um pensamento ansioso. Pontos fortes do livro: permite uma profunda análise, demonstra explicitamente a desorganização de pensamentos e as possibilidades que passam na cabeça do narrador ao fazer algo relativamente importante (o que também cria uma conexão leitor-narrador concreta). No entanto, o livro sem pontuação alguma, sem divisão de capítulos nem nada do gênero se torna cansativo. Por mais proposital que seja isso, mesmo com a quantidade de significado atrás da estrutura única dele. Se torna cansativo. Ponto. No geral, é um revolucionário da literatura. Original. Algo que eu nunca tinha nem cogitado em algum dia ler. Georges Perec faz jus à fama de inovador literário de sua geração.

    5 curtidas

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    Avaliações

    3.8 / 62
    • 5 estrelas19%
    • 4 estrelas53%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas2%
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    Georges Perec

    Nasceu em 1936 e foi um dos grandes inovadores da literatura no século XX. Filho de judeus poloneses que imigraram para a França, perdeu o pai na frente de batalha, durante a Segunda Guerra, e a mãe num campo de concentração. Em 1965, recebeu o prestigioso prêmio Renaudot por <i>As coisas</i>, seu primeiro romance, e, em 1967, passou a integrar o centro de literatura experimental <b>OuLiPo</b> (Ouvroir de Littérature Potencielle), fundado por Raymond Queneau. Sua prosa extremamente lúdica recorre à lógica e à matemática para lançar uma luz surpreendente sobre os detalhes mais repetitivos das sociedades de consumo. Perec morreu em 1982.

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    Georges Perec