"Uchronie" est un néologisme du XIXe siècle fondé sur "utopie" et "chronos". Il s'agit donc "d'utopies temporelles" ou, en d'autres termes, de récits dans des temps "qui auraient pu être" mais ne sont pas... Ce mot figure pour la première fois dans le titre d'un livre que Charles Renouvier fit paraître en 1876, "Uchronie, l'Utopie dans l'Histoire". Il s'agit pour Renouvier de réécrire près de mille ans d'histoire européenne telle qu'elle aurait pu être (si les Antonins avaient banni les chrétiens en Orient) en décrivant le "développement de la civilisation européenne". Un nouveau genre littéraire était né dont l'ampleur ne fera que croître au XXe siècle puisqu'on dénombre aujourd'hui des centaines de récits à caractère uchronique. Avec cette prolifération de textes, apparaissent des ramifications en sous-genres de plus en plus nombreux. C'est un panorama complet de l'uchronie sous toutes ses formes que nous propose Eric Henriet, ingénieur, polytechnicien, passionné de science-fiction et d'histoire.
L'Histoire Revisitée -
Éric B. Henriet
O estudo mais amplo e detalhado da História Alternativa já feito em todo o mundo - indispensável para quem se interessa por esse sugênero da ficção científica. Por volta de 29 a.C., o historiador romano Tito Lívio, ao descrever os primórdios da expansão romana em sua História de Roma, não resistiu e por um momento deixou de lado o apego aos fatos para divagar: o que teria acontecido se, trezentos anos antes, Alexandre, o Grande, tivesse se voltado para o Ocidente e atacado a República Romana, ainda restrita às terras do Lácio? Patrioticamente, Lívio afirmou que a história não mudaria muito: as embrionárias legiões teriam repelido as poderosas falanges macedônicas. Recusou-se a admitir que o Império Romano pudesse ter sido decapitado no berço. Foi o primeiro ensaio do que hoje se chama “história contrafactual” ou “virtual”, um gênero que surgiu como uma ocasional digressão especulativa de historiadores. Arnold Toynbee, por exemplo, pontuou obras sérias como "Some problems of Greek history" e "Um Estudo da História" com breves especulações sobre o que poderia ter acontecido se Alexandre não tivesse morrido jovem em Babilônia ou se os árabes tivessem vencido Charles Martel em Tours. A primeira experiência foi "Napoléon et la conquête du monde, 1812-1823: histoire de la monarchie universelle", escrito em 1836 pelo (obviamente) francês Louis Geoffroy. O narrador é um historiador que explica como Napoleão destroçou o exército russo antes do inverno e prosseguiu suas conquistas até consolidar um império mundial. De passagem, menciona um romance especulativo no qual o imperador teria sofrido uma absurda derrota em uma cidadezinha belga chamada Waterloo. O modelo teve seguidores nas décadas seguintes, principalmente na França, como o filósofo Charles Renouvier, que em 1876 esboçou em "Uchronie" um mundo no qual, em 165 d.C., o imperador-filósofo Marco Aurélio adotou como sucessor o filósofo Avídio Cássio, em vez de seu desastroso filho Cômodo. A decadência de Roma e a Idade Média foram evitadas, as artes e as ciências avançaram muito mais rapidamente e o cristianismo jamais se tornou a religião hegemônica. O título, análogo a "Utopia", passou a ser usado em francês para denominar tais obras, também conhecidas como “histórias alternativas (HA)” ou “aloistórias”. Uma variação foi proposta em 1889, por Mark Twain, no romance "Um Ianque na Corte do Rei Artur". Um dinâmico gerente de fábrica do Connecticut, lançado na semilendária Britânia do século VI, tenta promover a revolução industrial mais de mil anos antes do tempo e é derrotado pela Igreja e pela superstição. Exemplos anteriores pressupunham a contingência da história: pequenos incidentes ou decisões individuais poderiam mudar o mundo a ponto de torná-lo irreconhecível, como no “efeito borboleta” da moderna Teoria do Caos, antecipada em 1658 pelo filósofo e matemático Blaise Pascal quando garantiu que “se o nariz de Cleópatra fosse mais curto, toda a face da Terra teria mudado.” Twain, pelo contrário, poderia ter sido aprovado por defensores de teses deterministas como as de Hegel, Braudel e dos marxistas, para os quais, no longo prazo, a ação do indivíduo é irrelevante ante os movimentos e estruturas sociais. A consolidação da HA como gênero veio em 1939 com o autor de ficção científica (FC) L. Sprague de Camp, no romance "A Luz e as Trevas". Um arqueólogo transportado para o mesmo século VI, mas na Roma de Justiniano, recorre a seus conhecimentos históricos para inserir-se na época, introduzir cautelosamente invenções da Renascença e fugir ao triste destino do herói de Twain. Realiza o sonho de Renouvier: evita a Idade das Trevas e muda a história. Autores posteriores, influenciados pela FC, recorreram com certa freqüência, à “máquina do tempo” imaginada por H. G. Wells e ao conceito, originado de certa interpretação da mecânica quântica, de “universos paralelos”, nos quais a história foi diferente. Isto gerou desde HAs clássicas decoradas ao gosto do fã de FC a contos sobre paradoxos e dilemas éticos que resultam de alterar o passado (e às vezes inviabilizar a própria existência do protagonista, como no caso clássico do viajante no tempo que mata o próprio avô) que pertencem mais propriamente à FC, pois não aprofundam uma realidade “alternativa”. Surgiram o tema do “círculo vicioso” temporal (como no filme O Feitiço do Tempo) e da ficção alternativa, que explora uma variação na carreira de um já conhecido personagem de romance, filme ou gibi, como na minissérie "Red Son", na qual o bebê Superman cai na URSS e é criado por Stálin. Mas continuaram a existir HAs tradicionais, como no assustador romance "Pátria Amada" de Robert Harris (rebatizado "A Nação do Medo", na versão cinematografica), que se passa em um mundo no qual Hitler foi vitorioso. Para o autor de "L'Histoire Revisitée", vale notar, uma das mais importantes escolas de HA, depois da anglófona e da francesa, é a do Brasil, juntamente com as da Itália e do Japão.
Estatísticas
Avaliações
4 / 1- 5 estrelas0%
- 4 estrelas100%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%
