Filme (Jornalismo literário) -

    Lillian Ross

    Companhia das Letras
    2005
    312 páginas
    10h 24m
    ISBN-10: 8535906975
    Português Brasileiro

    Ao acompanhar a realização de um filme de John Huston, a jornalista Lillian Ross compõe um quadro que revela os meandros da indústria cinematográfica americana e o ambiente controvertido de Hollywood. Com apresentação de Matinas Suzuki Jr. e posfácio de Davi Arrigucci Jr. Ao saber que o diretor John Huston preparava a adaptação para o cinema do romance clássico da literatura norte-americana O emblema rubro da coragem, de Stephen Crane, Lillian Ross, jornalista da revista The New Yorker, decidiu acompanhar todas as fases da realização do filme. Ross foi para Hollywood e, na tentativa de descobrir como realmente funcionava a indústria cinematográfica, seguiu, durante quase dois anos, os passos da equipe de A glória de um covarde (título brasileiro da obra de Huston), desde a confecção do roteiro até o lançamento em Nova York. O resultado deste extraordinário trabalho - a primeira reportagem escrita em forma de romance - está em Picture, título original do livro, que resume em uma única palavra múltiplos significados (quadro, retrato, imagem, descrição, filme). Esta economia marca o estilo de Lillian Ross, que se concentra no substantivo e essencial, jamais emite uma opinião e deixa que os fatos e as falas sejam eloqüentes por si mesmos. "O melhor livro já publicado sobre Hollywood." - Newsweek "Muito melhor que a maioria dos romances." - Ernest Hemingway

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    Ana Kamila Azevedo17/02/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Retrato factual

    O mais curioso no relato de Lillian Ross é a riqueza de detalhes com a qual ela nos retrata, não só todas as etapas de produção de “A Glória de um Covarde”, bem como as características principais de uma cidade como Hollywood e seus habitantes, como também a sua sensibilidade em encontrar o ponto chave dessa história: a gradual perda de controle dos realizadores do filme sob o seu produto. Neste sentido, a jornada mais difícil de acompanhar, em “Livro” (uma obra que a gente lê num fôlego só de tão boa que é), é a do produtor Gottfried Reinhardt, que assistiu de mãos atadas e brigou em vão, até o fim, pelo longa dele e de John Huston (que se afastou destas picuinhas quando começou a se envolver com a produção de “Uma Aventura na África”). É de se admirar a perseverança e a resiliência dele diante de tantas pedras e de tantos obstáculos colocados no seu caminho. Se faltou-lhe coragem para peitar Dore Schary, como bem comprova Lillian Ross, Reinhardt teve a sabedoria de mudar sua trajetória, começando, após a experiência desapontadora de “A Glória de um Covarde”, uma discreta – porém elogiada – carreira como diretor. Quando Lillian Ross aceitou a proposta de John Huston para acompanhar o processo de produção de “A Glória de um Covarde”, ela tinha um objetivo certo em sua mente (“conseguir descobrir e aprender tudo o que pudesse sobre a indústria cinematográfica norte-americana”). Ao final da leitura de “Filme”, ficamos com a certeza de que a missão dela foi totalmente cumprida, uma vez que seu livro é um retrato pungente e forte dos meandros do funcionamento da indústria cinematográfica, com todos os ingredientes que um bom filme deve ter (paixão, tensão, descrença, suspense, mocinhos, bandidos…). Fica sempre aquela pulguinha atrás da nossa orelha falando que a própria história que acompanhamos durante o livro daria um bom longa-metragem. Quem sabe, com uma melhor sorte e destino do que o obtido por “A Glória de um Covarde”.

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