Os Bruzundangas é uma sátira mordaz que retrata a visão de Lima Barreto sobre o primeiro período republicano do Brasil, utilizando como artifício um país fictício chamado Bruzundanga. O livro é escrito por assuntos, as vezes se entrelaçando uns com os outros, mas a maior parte é dedicada à política e seus temas adjacentes. As vezes a leitura é cansativa pela enrolação dada a certos trechos, mas no geral é boa e com um tom de acidez que chega a ser bem engraçado.
Para começar, a zoação já começa pelo nome do país que é pitoresco e engraçado. Há muitas referências a pessoas que são, assim como o nome do país, retratadas com um nome diferente e estranho, mas depois de um século é difícil reconhecer as pessoas a que Lima Barreto queria se referir, o mais importante é ver como elas agiam para termos uma visão geral da época. Vemos através de trechos do livro que muitas coisas que ocorriam naquela época, principalmente no campo político, ainda se têm como hábito atualmente, o que é realmente lamentável. Lima Barreto poderia fazer outra sátira, e ainda com mais páginas, se ele viesse para o nosso tempo. Exemplos de más práticas ainda existem hoje, como o “toma lá dá cá” na política, como o brasileiro ainda tem o “complexo de vira-latas” que já existia naquela época, embora o modelo hoje a ser imitado seja o americano e naqueles anos o modelo prestigiado era o europeu, entre outras mazelas da nossa sociedade. E muito há de se refletir sobre o que acontecia e o que acontece ainda na Bruzundanga, quer dizer, no Brasil. Tiremos algumas lições para não continuarmos a repeti-los daqui a um século.