Se tem uma coisa que eu adoro fazer enquanto leio um livro, é escutar música. Algumas vezes, quando estou na vibe de colocar uma música em especial no repeat trilhões de vezes, ela acaba se tornando a trilha sonora do livro que eu estiver lendo no momento, ainda mais quando a letra tem relação com a história, e eu acho isso incrível, faz com que eu me sinta muito mais imersa no livro.
Por isso, quando a Editora Sinna anunciou uma nova antologia, onde o tema central seria música, eu soube que teria que participar. E no mesmo dia, a inspiração veio sabe-se lá de onde, e escrevi Doce Melodia, conto que veio a ser selecionado para fazer parte do livro.
Essa é a segunda vez que participo de alguma antologia da Editora Sinna, sendo a primeira Garotas Incompletas com o conto Parque dos Segredos. Eu realmente adoro essa editora e a oportunidade que ela dá à autores nacionais. Hoje em dia é muito mais fácil publicar um livro do que antigamente? Sim, é sim. Mas e quanto à qualidade da edição? E quanto ao valor que você tem de gastar?
Eu já tive um livro publicado, O Poder da Vingança, e por isso digo que o trabalho da Editora Sinna é simplesmente sensacional. A capa e contracapa são magníficas, uma arte muito bem elaborada, e o maior capricho está nas páginas: No início de cada conto, há desenhos bem delicados de notas musicais e de gotas de chuva.
Para os primeiros compradores, também haviam brindes, que por acaso eu consegui ganhar. Junto do livro, veio um pôster, marcadores, um fone roxo e uma almofada pequena super fofa com o título do livro. Isso instiga o leitor, e também instiga a nossa vontade de escrever e de participar de uma organização dessa.
A revisão não é perfeita, isso eu concordo, mas é um ponto apenas a ser melhorado. E outra coisa a se ter em mente ao pegar uma antologia em mãos: não são todos que vão te agradar. Eu mesma nunca tive o hábito de ler contos, porque me incomodava as histórias serem curtas, e quando você está começando a se envolver, ela acaba. E também por só uma ou outra dentro de um livro inteiro me agradar. Isso é natural.
Não estamos acostumados a ler antologias; e se estamos, é de livros internacionais com autores renomados, ou mesmo nacionais, dos autores já mais famosos e conhecidos. Mesmo esses, que possuem uma boa escrita e criatividade considerável, podem não nos conquistar por completo. Imagina uma antologia cheia de contos de autores novos, que estão entrando no mercado literário agora, talvez sendo o conto deles até mesmo o primeiro que publica. É essencial ter tudo isso em mente antes de iniciar uma leitura do estilo. Temos o direito de realizar críticas construtivas, é lógico, não somos obrigados a fingir que gostamos, mas temos que valorizar nossos autores nacionais e tentar mostrar o que eles podem melhorar numa próxima história.
Minha experiência com Chuva na Janela, por exemplo, foi muito melhor do que com Garotas Incompletas. Amei todos os contos? Não. Mas vou mostrar à vocês os que mais curti.
Doce Melodia – Carol Antonucci: Meu conto apresenta Marina, uma moça que passou por traumas na infância, e que graças às músicas que Gabriel, seu vizinho, cantava e tocava, conseguiu superar seus medos. Agora, anos depois, morando sozinha, ele se muda para o apartamento do lado, e durante um apagão e uma crise de pânico, ela bate em sua porta, procurando ajuda e sua voz, que uma vez já a salvara. O conto teve como inspiração a música Lullaby do Nickelback, que é extremamente linda e mega emocionante.
A princesa da periferia – Larissa Rumiantzeff: O primeiro conto do livro já começa com um toque bem triste. Renata está grávida e prestes a parir. Não tem dinheiro pra se dar o luxo de pegar um uber e ir ao hospital, seu namorado está trabalhando longe, e seus pais não falam mais com ela por ter engravidado nova. O desfecho não é bonito, creio que a intenção de Larissa tenha sido trazer mesmo um conto melancólico, mas que também não foge de uma história que poderia acontecer no mundo real.
Escute! – B.K Rufino: Um dos contos mais pé no chão, e que emociona justamente por isso. A história de uma menina que sempre via seus pais brigando, e isso a magoava profundamente. Agora, já crescida e tendo seu próprio marido, ela vê o reflexo dos pais neles mesmos, as discussões, as dores de cabeça do dia a dia influenciando no relacionamento. E assim como antes, a sua maior fuga é a música. E tendo os pais em mente, ela resolve levar o marido para o lugar onde se conheceram, afim de lembrá-lo como tudo começou, e como eles ainda são os mesmos daquele dia. Uma história bonita e tocante.
Guarda-me em nossa canção – Nathalie D.A.: Acho que quando se relaciona chuva batendo na janela + música a gente pensa diretamente em um dia frio e depressivo né? E vamos com mais uma história tremendamente triste. Nathalie nos conduz pela trajetória de um casal desde que se conheceram, até os primeiros flertes, troca de beijos, o romance crescendo, até que um deles precisa seguir em frente sem o outro. Quando eu vi no que ia dar, já comecei a sofrer!
Perfeita para mim – Larissa Milena: A história de Alice, uma garota que sofre bullying, e que o vence através do amor de alguém super próximo seu. A música escolhida pela autora não poderia ser melhor para retratar os dois temas: Fucking Perfect da Pink. Quem não se emociona com essa música, né?
Um pequeno pedaço do inferno – Bruna Corrêa: Olha, esse conto poderia ter sido incluído em Garotas Incompletas também haha é o mais diferente da antologia, adorei a criatividade da autora, principalmente por ela ter se inspirado na música A little peace of heaven do Avenged Sevenfold, que eu adoro e aliás estou escutando agora mesmo enquanto escrevo. Quem conhece a música, já deve imaginar do que se trata o conto. Uma mulher que foi assassinada pelo namorado, e agora, vendo-o seduzir outra com a mesma finalidade, resolve se vingar dele e assombrá-lo.
Uma canção é para isso ou aquilo – Guinho Monteiro: O conto mais longo do livro, sobre Enzo, um músico que saiu de casa para seguir seu sonho, e que ao alcançá-lo, acaba deixando a fama subir à cabeça e perde tudo o que já foi importante pra ele um dia. Uma história bem característica de muitos artistas famosos.
Os demais contos falam sobre reencontros, temos também histórias LGBT, um diferencial bacana pra antologia. De 18 contos, eu gostei bastante de 7, mas não significa que desgostei dos demais. Como comentei antes, minha experiência com Chuva na Janela foi agradável, li em torno de 2 horas, já que cada conto é rápido de ser lido, e a leitura fluiu sem se tornar cansativa. Senti falta apenas de mais conexão das músicas com alguns contos, e da própria “chuva”, que foi retratada em poucos contos.