Este Book of Lost Tales parte 2 continua os temas desenvolvidos na p. 1, já comentada aqui, no qual tudo faz parte da mitologia inicial que J. R. R. Tolkien começou a desenvolver em 1916-17 e que, infelizmente, jamais foram concluídos.
Mas como assim? Não existe o Silmarillion? Sim, é claro, mas como bem diz o Professor Corey Olsen, especialista no autor, há tantas diferenças conceituais entre as duas histórias que podemos considerá-las mitologias independentes. Porque na concepção original dos Contos Perdidos, havia um personagem que era o elo entre o mundo moderno e o mundo das "fadas" - o marinheiro Eriol, depois renomeado Ælfwine (ambos continham origens diferentes).
Ælfwine é o personagem que melhor representa aquilo que Tolkien havia inicialmente pensado para construir a "mitologia da Inglaterra", pois sua história se passa durante a invasão da península britânica pelos romanos, saxões e vikings, e à separação definitiva entre Homens e Elfos.
Mas embora esse tenha sido o tema central para o desenvolvimento do Silmarillion, o mais interessante do Book of Lost Tales p. 2, para mim, é a evolução dos Contos de Tinúviel (que se transformaria em "Beren e Lúthien"), Turambar e o Foalókë, o Dragão, e Nauglamír, o Colar dos Anões ("Os Filhos de Húrin" e sobre a Queda de Doriath) e A Queda de Gondolin. Cada um destes contém o essencial das histórias que foram posteriormente revisadas e alteradas por Tolkien, mas há diferenças notáveis (i.e. Beren era um Elfo Noldorin, e não um humano!).
Enfim, reitero que não é um livro (ou uma coleção) para os novatos, mas para aqueles que desejam se aprofundar nos escritos de Tolkien, é um prato cheio!