Nuvem Colona - Literatura e Colonagem no Século XXI

    Gustavo Arthur Matte

    Caiaponte Edições
    2019
    158 páginas
    5h 16m
    ISBN-13: 9786580212019
    Português Brasileiro

    Neste seu segundo romance, depois do psicodelíssimo Demo Via, Let's Go!, Gustavo Matte, num futuro mais ou menos distante, entrevista um grupo de amigos — que, em sua juventude, fundaram juntos um coletivo de artistas (a Nuvem Colona) — na tentativa de reconstituir coletivamente a memória de seu passado. Os entrevistados, quase todos poetas, escritores, artistas e agitadores culturais, vão revelando-se aos poucos, apresentando, involuntariamente, os traços discursivos e psicológicos que os distinguem, com direito ao aparecimento de tretas (um triângulo amoroso) mal resolvidas no passado e que voltam para atormentar os depoentes durante a entrevista e exigir uma postura de amadurecimento dos envolvidos para lidar com a situação tantos anos depois. Propondo uma mistura interessante de “romance de formação” com o pouco típico "romance de ideias", Nuvem Colona pode ser lido de várias maneiras e por interesses diversos: uma exposição narrativa sobre os anos juvenis de uma trupe de estudantes interioranos que se mudam para uma capital ou um grande ensaio narrativo sobre a questão da cultura e contracultura urbana da região Oeste de Santa Catarina e da cidade de Porto Alegre. Na verdade, as duas coisas — e muito mais! — ao mesmo tempo.

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    Felipe André Silva10/08/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    É das premissas mais divertidas e interessantes que vi nos últimos tempos: O autor/personagem, investiga, nos anos 2030, um grupo literário do interior catarinense -a tal Nuvem Colona- que fez sucesso durante os anos 2010 e 2020 baseando sua criação na observação e cultivo da cultura colona/camponesa da região; Chapecó, para ser mais específico. Ou seja, rola uma brincadeira divertida de observar, com distanciamento e ironia, os mecanismos de certa literatura brasileira em operação hoje. Os nomes, trajetórias, e procedimentos da Nuvem Colona me fizeram lembrar bastante dos portoalegrenses do Cardosonline/Livros do Mal, e ainda que não seja essa a intenção, se percebe algum caráter cíclico dessa febre criativa da juventude, que esmorece mais ou menos, mas nunca se mantêm. É interessante, sobretudo como romance de formação, porque é muito breve e construído por inúmeras vozes em constante divagação e remontagem de memória. Às vezes a gente vê certos exercícios de estilo esticados à exaustão quando claramente deviam ser apenas um conto, mas o Matte consegue levar esse formatinho da entrevista/reportagem pela mão com segurança até o final. No mais, sigo com muitas dúvidas sobre o personagem do Rony, alívio cômico meio rocambolesco que de certa forma também é protagonista e parece perder a mão no exagero aqui e ali. Nada que comprometa. Em alguma medida me lembrou os sentimentos que o Ismael Cannepelle evoca em 'Os famosos e os duendes da morte', mas bem menos sofrido e ansioso. Queria adaptar pra tv, daria uma série bacana.

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