Histórias de pessoas de origem simples que conquistaram uma posição de destaque já despertam interesse, por sua raridade. Agora, histórias de pessoas que, após décadas de trabalho, tiveram a humildade de reconhecer que trilharam o caminho errado ou, pelo menos, menos eficiente são ainda mais escassas e têm muito a nos ensinar. Dignidade para todos une essas duas histórias de maneira extraordinária. Nele, Jim Despain conta como saiu de uma pequena cidade de mineração de carvão e, sem nem sequer possuir diploma universitário, tornou-se vice-presidente de uma divisão da Caterpillar, a gigante multinacional da terraplanagem, depois de iniciar sua carreira na empresa varrendo o chão de fábrica. Ele conta também como, depois de 30 anos, descobriu que havia se tornado um líder autoritário e empreendeu uma mudança em sua divisão e em suas atitudes, tendo como objetivo a liderança baseada em valores, o que permitiu o alcance de resultados financeiros substanciais e a melhoria das relações trabalhistas. História da transformação de um homem e de uma divisão, Dignidade para todos é uma verdadeira lição, um guia para todos aqueles que aspiram à liderança e, especialmente, para os líderes que querem adquirir vantagem competitiva nesses tempos de extrema concorrência e paridade entre as empresas.
Dignidade Para Todos - : Alto desempenho com liderança baseada em valores
James Despain, Jane Bodman Converse
Uma obra prima de como gerenciar pessoas
Enquanto cursava o ensino médio, eu me questionava que tipo de profissional eu me tornaria. Sem nenhuma noção do que de fato era o mercado de trabalho, acreditei que entre ambas as partes haveria um relacionamento da seguinte forma: eu cumpriria uma tarefa a mim designada, e, em troca eu receberia no final do mês o que me era combinado. Um troca de favores. E eu seguiria aquele velho ditado: “uma mão lava a outra, e as duas lavam juntas”. Mesmo tendo pouco conhecimento do mundo dos negócios eu tinha total consciência que era importante que as mãos lavassem juntas, mas tive que aprender inicialmente sozinha, como se daria esse processo de lavagem: eu lavaria com sabonete comum ou sabonete líquido? Um esfoliante, talvez? Um serviço completo de uma manicure com direito a creme para as mãos no final? Enfim, aprendi a lição que só água e sabão não são suficientes para uma boa lavagem. Ter o mesmo comportamento que todo mundo no mercado de trabalho têm, não é suficiente. Às vezes nos deparamos com situações que nos forçaria a jogar a toalha e dizer: “Basta, pra mim já deu”, mas são justamente essas situações que nos proporcionam desafios incríveis de superação, e exigem de nós uma grande concentração de motivação, energia, garra, perfeição. Excelência. Despain, nosso mocinho e que as vezes sem querer fazia papel de vilão, nos exemplificou com sua história de que se dedicar com qualidade à arte da excelência é quase como uma religião. Que é preciso acreditar que aquela tarefa que você desempenha é muito importante, e que temos que nos envolver pessoalmente ao máximo naquilo que estamos fazendo, visando sempre atingir nosso objetivo com uma qualidade ímpar. E quando conseguimos contornar de forma brilhante uma situação que se mostrava extremamente difícil, talvez a recompensa em dinheiro não seja o mais gratificante no final das contas. O prêmio maior é ver do que somos capazes de fazer, do que somos capazes de atingir. Ao ler essa brilhante auto biografia profissional, constatei mais uma vez que quando estamos mal interiormente, seja estressado, depressivo, ansioso, e principalmente, quando não conseguimos lidar com as nossas frustrações pessoais, o nosso lado profissional tende a ser prejudicado, pois é nele que se refletem tais sentimentos, pois estamos mais propensos a perder um pouco da nossa capacidade de discernimento, nos fazendo agir como seres dotados de pouca racionalidade. E assim como Jim Despain, eu também tive meus maus momentos, mas constatamos que superar essas adversidades fazia parte do nosso mundo, e enfrentá-las era um desafio da qual nenhuma cabeça pensante estava disposta a sequer, pensar em derrota. Só a vitória importa. Mas nem sempre as coisas acontecem como queremos. E é nessa hora que somos colocados à prova: concluímos que mudar nossa postura, nossa visão, nossos valores e nosso comportamento frente às diversidades que nos são impostas, é de extrema importância para nos classificar como bons ou maus profissionais. Despain mais uma vez nos exemplifica que essa mudança, sendo positiva, transforma para melhor o ambiente empresarial, contribuindo para o bem estar de todos e para o bom funcionamento da empresa. Mais quais mudança seriam essas? Ele nos ensina nove valores que fazem a diferença entre “onde estamos hoje” e “Aonde queremos chegar” e entre “o que eu sou” e “o que eu gostaria de ser”, e são elas: confiança, respeito mutuo, trabalho em equipe, capacitação dos funcionários, aceitação de riscos, senso de urgência, melhoria contínua, comprometimento e satisfação do cliente. Essas são qualidades de um profissional que almeja ser bom no que faz, que almeja ser um líder justo. E quanto mais emaranhada a situação se mostra, mais temos que ter em mente que “quando tudo fica mais difícil, mais os valores se fortalecem”. Jim Despain é com certeza meu herói. É com certeza, uma lenda no mundo dos negócios. Carregarei pelo resto de minha vida seus ensinamentos. Com certeza. E o varredor de chão se transformou no Vice-Presidente. Só lendo mesmo. Eu recomendo.
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