Dawn of Empire -

    Sam Barone

    William Morrow
    2006
    496 páginas
    16h 32m
    ISBN-10: 0060892447

    Three thousand years before the birth of Christ. An epic conflict is about to begin. The reward for victory? Civilization. The price of defeat, a return to the dark ages.

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    Virgínia25/12/2025Resenhou um livro
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    Ficção histórica ou fantasia do autor?

    Há livros que são deveras impressionantes. Uns são impressionantes no bom sentido, isto é, os autores conseguem apresentar-nos uma história coerente, interessante e gratificante, muitas vezes confrontando-nos com situações, realidades e perspectivas que nunca antes nos havia ocorrido ou que nunca antes experenciámos; obrigando-nos durante a leitura a reavaliar o nosso conhecimento sobre determinado assunto e os nossos próprios valores sobre uma determinada questão. Outros são impressionantes, mas no mau sentido, ou seja, em vez de nos estimular o pensamento de forma crítica, apenas parecem contribuir para a perda dos nossos neurónios. Possivelmente as minhas palavras soarão a muitos mesquinhas e pretensiosas, no entanto não sou capaz de encontrar melhores palavras para descrever a experiência que tive com este livro. Como tantas outras pessoas, eu própria gosto de obras (sejam elas em formato de livro ou audiovisuais) que não são propriamente a arte mais inovadora de sempre, aquilo que, hoje em dia, é referido como guilty pleasure: obras que criticamente sabemos serem más/péssimas, mas que, por algum motivo que nos transcende, possuem um alto grau de entretenimento. Infelizmente para a minha sanidade mental, O despertar do império de Sam Barone não é uma dessas obras. Vendido como uma obra épica de ficção histórica, O despertar do império é tudo menos ficção histórica - com ênfase no histórico - ou épico. Para início de conversa, este livro em particular não pertence ao meu espólio pessoal. Desde que me lembro, sempre tivemos este livro nas nossas prateleiras aqui em casa e sempre fiquei intrigada. Porém, como era um livro que havia sido adquirido há muito tempo atrás, nunca me atrevi sequer a folhear, pois (e com uma certa razão) achava que seria um daqueles livros que apenas adultos poderiam verdadeiramente compreender todas as suas nuances. Portanto, nunca mexi. Até agora. Dada a minha formação académica na área de História Antiga, achei que finalmente estava na posse de todas as ferramentas para poder ler o livro, uma vez que a sua sinopse afirma ser uma ficção histórica ambientada na Mesopotâmia. Assim, comecei a ler o livro incautamente. Como já afirmei, este livro é um livro de ficção sim, mas não de ficção histórica. Barone tenta enganar os seus leitores, apresentando-lhes uma história acerca do surgimento das primeiras cidades nos inícios da Idade do Bronze. Sejamos claros e factuais por um momento: na divisão da História, a Idade do Bronze surge imediatamente a seguir ao Calcolítico, um dos períodos que marcam a Pré-História. Tal como o nome sugere, é durante este período que a Humanidade se apercebe do valor dos metais e começa a descobrir como os misturar, formando diferentes ligas com diferentes propriedades. É durante este período que surgem então as primeiras grandes civilizações, como seja a civilização egípcia, a civilização suméria, a civilização minoica, entre muitas outras. O foco de Barone está então na Mesopotâmia, naquilo que são os primórdios da civilização suméria e do surgimento das grandes cidades. Pelo menos, era isso que o autor dava a entender. Do meu ponto de vista, um dos problemas mais gritantes é a falta de pesquisa que se torna demasiado evidente ao longo do texto. Em primeiro lugar, as personagens e os próprios lugares que são descritos e da forma como são descritos simplesmente não têm qualquer correlação com aquele que era o contexto cultural da Mesopotâmia na altura em que a história é narrada. Aliás, muitos nomes possuem uma maior correlação com inspirações fantasiosas do Império Romano do que com a civilização suméria. Em segundo lugar, as cenas de combate (que são um dos grandes atrativos da narrativa) apresentam extremas discrepâncias. Estas não são de todo verosímeis, uma vez que estamos (ou estaríamos) a falar de armas de bronze, notoriamente reconhecidas por arqueólogos, historiadores, ferreiros e outros especialistas por serem de qualidade inferior às armas de ferro. Contrariamente às armas de ferro, as armas de bronze partem-se e amolgam-se com uma facilidade extrema, ou seja, são relativamente mais frágeis em questão de durabilidade. Quanto às tácticas utilizadas no livro, não posso opinar muito, visto não ser especialistas em História Militar. Contudo, não posso deixar de assinalar a estranha semelhança entre os Alur Meriki (os antagonistas do livro) com os relatos conhecidos dos Hunos. A primeira vez que a tribo surge na narrativa fiquei um tanto confusa, dado serem uma clara cópia daquilo que é a nossa percepção dos Hunos - percepção essa que foi moldada pela visão dos Romanos. Assim sendo, O despertar do império trata-se mais de uma fantasia de um autor do sexo masculino. Esta questão é bastante premente na forma como a personagem feminina principal é descrita e no tipo de relação que se estabelece entre ela e a personagem principal, Eskkar, um homem. Antes que alguém comece a atirar pedras injustamente, a relação entre Trella e Eskkar não chega a assumir contornos tóxicos, todavia é uma relação extremamente rasa, focando-se mais na sua componente sexual. Poderia falar da gritante diferença de idades entre as duas personagens como sendo igualmente problemático, contudo esse deve ter sido o único aspecto no qual o autor se manteve factual. Ainda assim, o pesado foco na componente sexual da relação acaba por ser agravado por esse pequeno pormenor, o que me deixou bastante desconfortável. As restantes personagens pouco ou nada acrescentam, simplesmente formando uma fileira de nomes que vão e vêm consoante a sua necessidade para a narrativa. Destarte, O despertar do império é deveras um livro impressionante na sua ruindade. O mais intrigante será porventura o rótulo de ficção histórica, quando, a bem da verdade, se trata de um livro fantasioso que pega emprestado o cenário mesopotâmico, embora nunca chegue a utilizá-lo de facto.

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