Down and Out in the Magic Kingdom é sobre um cara chamado Julius e seus altos e baixos na sociedade futurística em que vive. Normalmente os personagens roubam a cena, mas neste livro, a sociedade, não Julius, é a grande atração. A narrativa se passa muito tempo depois que a humanidade descobriu como evitar a morte. Com essa descoberta nasceu a Bitchun Society.
Uma das primeiras regras do mundo de Julius é fazer backups constantes de todas as coisas que estão na sua cabeça. Essas informações ficam armazenadas em algum lugar e caso você morra, médicos farão um clone para receber todas as sensações, sentimentos e memórias que compunham você naquela hora. Voilá, a morte não é mais um problema.
Dinheiro não existe mais e sua popularidade determina a quantidade de whuffies que você tem. Seus whuffies determinam o que você pode comprar, gastar, visitar e são também uma espécie de status. Como todas as pessoas estão conectadas à uma rede global de informações, por algo como conexões neurais, todo mundo pode saber seus whuffies só olhando pra você.
É claro que mesmo uma sociedade assim possui suas próprias complicações. Como ninguém morre, a superpopulação se tornou um grande problema. Além disso, depois de sua primeira centena de anos explorando todas as coisas que existem em nosso planeta (e na órbita) você fica meio que entediado. Para aqueles que encheram o saco de viver existe a opção de "dead head" por algumas décadas, séculos e até mesmo milênios, algo como matar seu corpo e deixar sua memória suspensa no banco de dados. Ou mesmo a opção de tomar uma injeção letal e tornar a morte algo definitivo como era antigamente. A grande vantagem de uma sociedade onde as pessoas não morrem, é que todos os que são contra ela já morreram há muito tempo.
Down and Out in the Magic Kingdom começa muito, muito bem, mas se perde no meio do caminho. A estória estava ótima até o personagem cismar em manter intacta uma das atrações da Walt Disney (que se tornou imensa, praticamente uma megalópole). Pra conseguir isso ele arruma confusão com o Deus e o mundo e faz com que o plot seja um porre.
Cory Doctorow (o escritor) traz à tona algumas discussões bem interessantes sobre a morte e seus dilemas e sobre a frivolidade da vida. Afinal, se você vive para sempre, você vive para o que ? Entretanto uma estória e um plot desses, com tanto potencial, ficaram muito mal explorados. A boa notícia é que Doctorow deu permissão legal para todo tipo de adaptação, citação, fanfic, publicação, etc, etc. Então alguém ainda pode aproveitar as ideias dele e montar uma narrativa mais interessante. Recomendado pra quem gosta de ficção científica, do tipo que te deixa pensando nela dias, mas que não faz muita questão de gostar dos personagens.