O segundo mais longo dos diálogos, o mais longo é As Leis, também publicado em Clássicos Edipro, apresenta vários temas, mas todos determinados pela questão inicial, fundamental e central e a ela subordinados: o que é a justiça?... Ou melhor, qual é a sua natureza, do que é ela constituída? Neste diálogo, Platão expõe sua concepção de um Estado (comunista) no qual a ideal de justiça seria aplicável e a própria dike realizável e realizada. O título A República (amplamente empregado com seus correspondentes nas outras línguas modernas) não traduz fielmente Politeia, que seria preferível traduzirmos por A Constituição (entendida como forma de governo de um Estado soberano e não a Lei Maior de um Estado). Há quem acene, a propósito, para o antigo título alternativo, que é Da Justiça. A República é a obra de Platão mais traduzida, mais difundida, mais estudada e mais influente, tendo se consagrado com um dos mais expressivos textos de filosofia de todos os tempos. O importantíssimo texto de A república foi estabelecido por vários helenistas ilustres. Optamos por trabalhar com dois textos que consideramos os melhores: o de John Burnet e aquele de Teubner. Com o propósito de contribuir para a consulta mais fácil e ágil do texto, incluímos á margem das páginas a numeração de Stephanus. Esta edição inclui ainda histórico da obra de Platão, dados biográficos, cronologia e sinopse da obra.
A República - ou 'Da justiça'
Platão
Em tempos em que a discussão política permeia tudo e é quase impossível ver um meme, ler uma notícia ou mesmo sair na rua sem se deparar com meia dúzia discutindo, faz bem estudar um pouco do assunto em seus conceitos mais básicos. A República, também chamado Da Justiça, é um diálogo socrático escrito por Platão no século IV a.C. Nele temos um grupo de filósofos discutindo primeiramente sobre a validade da Justiça e da Injustiça. Só essa primeira parte já valeria a leitura do livro. O conceito atual de Justiça se confunde com a noção de Igualdade que por sua vez se mistura com a Democracia. Os três termos representam ideias totalmente diferentes, e aqui temos uma rica discussão ainda em seus primórdios. Mas a discussão sobre Justiça se desenvolve para a de Sociedade. A proposta descrita em A República é que a formação de uma cidade depende exclusivamente de seus cidadãos, então temos a maior parte do texto descrevendo e tentando definir o que é o cidadão perfeito. Esse não deve ser considerado unicamente como um termo político. O autor discorre sobre a formação dele como individuo em função da comunidade, moldando corpo e alma (parte do conceito platônico de dualidade) para melhor servi-la. Se dá então uma longa discussão sobre quais são as virtudes buscadas, os vícios a serem evitados, o que define alguém ou sua profissão, a forma como a própria análise é buscada. E é claro, conceitos como falta de ciências que suportassem tal empreitada - A parte que talvez seja a mais complexa do livro: a exposição de Platão do Mundo das Ideias e dos graus de conhecimento que depois será usada para definir o tipo de educação que formaria essa sociedade. A discussão se encerra referindo-se aos diferentes tipos de governo e a escolha mais adequada a essa cidade ideal. Convém, contudo, prestar atenção aos termos utilizados que podem facilmente se confundir com seus homônimos modernos. Não seria nem um pouco improvável que algum primeiranista ou leigo no assunto confundisse o Anarquismo grego com o de Trotsky. De fato, acho sempre complicado analisar o uso de termos em uma obra traduzida, especialmente porque não sei por quantas traduções e revisões o original passou. Mas posso dizer que embora linda, a edição da Nova Cultural não traz notas ou qualquer outro texto de suporte.
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