Nas Quartas Vestimos Rosa
Esse é o primeiro livro de moda que leio em toda a minha vida, então que fique claro que não sou entendida do assunto. Vamos começar com os pontos negativos primeiro: O livro é completamente focado na figura feminina. O tempo todo se fala "ela isso, ela aquilo, garotas usam, mulheres sexys, feminilidade e bla bla bla". Não que seja o fim do mundo, mas considerando que fala de moda, esperava menos foque em gênero, tive um pré-julgamento de que a moda é disruptiva, provocativa, intrigante, que desafia limites, que é uma forma de arte e expressão, então esperava que o livro não fosse restrito à mulheres. Segundo ponto, a autora é favorável ao uso de peles. Não sei se foi ironia, mas há o seguinte trecho: "And, PETA be damned, I am a huge fan of fur. It will keep you warm and you will look instantly luxe." Gata, não me interessa o quão luxuoso você pensa que é, os animais não deveriam entrar em extinção apenas pra você parecer bonita em um evento. E terceiro ponto, que não é falha do livro em si, mas da indústria da moda, me incomodou a desconsideração capitalista da indústria que foi exposta no seguinte trecho: "John Galliano’s hobo-chic look was inspired by the homeless people he saw lining the Seine when he was jogging." Uau Galliano, maravilhoso que você se inspirou nos moradores de rua em sua corrida matinal, fez uma linha de grife, ganhou grana preta e continuou sua vida. Palmas pra vc!!! ~sorriso irônico~ Eu pesquisei o indivíduo e não encontrei nada sobre caridade, ONG's ou filantropia. Dou minha mão a palmatória que minha pesquisa foi superficial, então talvez ele tenha feita alguma ação para mudar a realidade que o inspirou, maaas o que eu realmente achei na pesquisa foi que ele foi demitido da Dior por praticar anti-semitismo, por declarar bêbado que é apoiador do Hitler. Ou seja, um babaca completo. Agora sobre os pontos positivos: O livro é gostoso de ler, uma ótima introdução sem excesso de termos técnicos da área, eu mesma não sei todos os nomes de cortes de saia e fico grata que não precisei saber pra ler. A autora foca muito em estilo pessoal e enfatiza várias vezes que não é sobre o quanto você gasta, mas sim sobre se conhecer e se valorizar através das roupas. Ela deixa claro que você deve se vestir para si próprio e não para agradar juízes externos, deve ser um ato de auto conhecimento e amor próprio. Algo que achei maravilhoso também foi a multiculturalidade, pensei que o livro focaria apenas na moda europeia, no máximo a americana também, e a Nina trouxe a importância da cultura na moda. Mesmo que em pequenos trechos, ela chegou a comentar da beleza africana, indiana, japonesa e colombiana, que inclusive é a cultura da autora. Outro ponto positivo foram as listas de referências para pesquisa posterior dos grandes nomes da moda e suas criações e de filmes ícones para se inspirar. Além das entrevistas no final do livro. No geral é uma leitura divertida, a Nina escreve exatamente como uma It Girl, parece que estou lendo a Regina George ou Blair Waldorf (eu não consigo acreditar que essas garotas existem mesmo na vida real!! ~~muito longe do meu mundo~~) e agora quero ler sobre a Coco Chanel, essa mulher revolucionária que influencia a moda até hoje.

