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    Michelet -

    Roland Barthes

    Cia. das Letras
    1991
    204 páginas
    6h 48m
    ISBN-10: 8571641552
    Português Brasileiro
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    O trabalho sobre Michelet devia ser uma tese universitária. Saiu porém tão pouco acadêmico que virou livro. A escolha do tema revela a preocupação que seria constante em Barthes - a articulação do texto com a história, do homem escritor com a ideologia de seu tempo. Michelet (1798-1874) era um objeto ideal para esse estudo, por ter sido, ao mesmo tempo, grande historiador e escritor personalíssimo. Barthes aí encontrou seu método de trabalho e seu estilo crítico. Como ele diz na apresentação, este livro 'não é nem uma história do pensamento de Michelet, nem uma história de sua vida'. Seu objetivo era evidenciar, na obra do historiador, 'uma rede organizada de obsessões' e, assim, 'devolver a este homem sua coerência'. Seria apenas uma 'pré-crítica', porque ele via o método estrutural como uma introdução necessária mas não suficiente à crítica histórica. Mas diante deste Michelet revelado por Barthes, corpo vivo habitando uma escritura e lugar onde se cruzam as ideologias e os fantasmas pessoais, quem sente falta de outro tipo de crítica? Aliás o 'Diário Íntimo' de Michelet, publicado integralmente depois do livro de Barthes, confirmou inteiramente suas intuições.

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    Roland Barthes

    Roland Barthes foi múltiplo. Intelectual, escritor, professor, pintor amador, não apenas transitou entre diferentes correntes do pensamento como também as forjou. Foi da crítica ideológica de inspiração marxista à semiologia dura, da teoria do texto a partir das sensações ao estudo da fotografia. Seus objetos de interesse eram inusitados: dos romances de Balzac aos tecidos de organza, do sabão em pó ao haicai. Não é à toa que sua obra influenciou — e continua a fazê-lo — a filosofia, a antropologia, os estudos literários, a linguística, a teoria da comunicação e as artes visuais e performáticas. Formado em Letras Clássicas em 1939 e Gramática e Filosofia em 1943 na Universidade de Paris, fez parte da escola estruturalista, influenciado pelo lingüista Ferdinand de Saussure. Crítico dos conceitos teóricos complexos que circularam dentro dos centros educativos franceses nos anos 50. Entre 1952 e 1959 trabalhou no Centre national de la recherche scientifique - CNRS. Barthes usou a análise semiótica em revistas e propagandas, destacando seu conteúdo político. Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente, o primeiro tratava da percepção simples, superficial; e o segundo continha as mitologias, como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adotados como padrões. Segundo ele, esses conjuntos ideológicos eram às vezes absorvidos despercebidamente, o que possibilitava e tornava viável o uso de veículos de comunicação para a persuasão. Foi diretor de estudos da "Escola de Altos Estudos e Ciências Sociais" e professor do Collège de France é um dos principais animadores do pós-estruturalismo e da semiologia linguística e fotográfica na França.

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    Normandia, França

    Roland Barthes