A história me absolverá -

    Fidel Castro

    Expressão Popular
    2001
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-10: 8587394193
    Português Brasileiro

    Em 10 de março de 1952, em Cuba, o general Fulgêncio Batista deu um golpe de Estado para impedir o triunfo do Partido Ortodoxo nas eleições de junho. A Constituição de 1940 foi anulada. Em 26 de julho de 1953, 151 militantes sociais atacaram o quartel Moncada. O ataque fracassou e o grupo, liderado por Fidel Castro, foi preso. Fidel, advogado, fez sua própria defesa. Seu discurso, feito em 16 de outubro de 1953, é um dos mais importantes documentos políticos para se conhecer a História cubana contemporânea.

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    Tales Vieira23/09/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Grande texto da política latina

    ''La história me absolverá'' é a defesa feita por Fidel Castro em 1953 contra as acusações de traição à pátria feita pelo governo de Fulgêncio Batista em Cuba. Defesa brilhante e que coroa diversos princípios políticos que posteriormente seriam questionáveis pela forma como Castro guiou a própria política a frente da Ilha. Em primeiro lugar, é importantíssimo que as liberdades civis e judiciais sejam garantidas a todos. A ampla defesa e o contraditório nas contendas políticas devem ser promovidas, sendo essa a primeira argumentação de Fidel, que foi impedido por mais de 2 meses de se encontrar com qualquer pessoa em sua cela, inclusive com defensores. Em absoluto, prisões por motivos políticos são odiosas e só devem existir em casos extremos de ameaça à ordem pública, como atos de terrorismo e onde vidas de mais cidadãos estejam em jogo. Em segundo, Fidel exorta o patriotismo e os laços de solidariedade que uniram os seus companheiros e que devem guiar os povos do mundo que buscam sua libertação. O patriotismo é uma constante da defesa, visando demonstrar como o ataque ao quartel Moncada foi realizado no melhor interesse da democracia cubana que estava constantemente sendo atacada por Batista. Ao final da defesa, Fidel traz exemplos de como e porquê a revolta ao injusto é legal e moral, citando São Tomás de Aquino, Rousseau, Locke, Montesquieu, gregos, romanos e diversos outros pensadores. Fidel cria uma ideia em sua defesa de que os poderes constitucionais devem ser equilibrados em um sistema de freios e contrapesos, e que a hipertrofia do Executivo sufoca uma democracia, subjugando o Legislativo e Judiciário, tanto é que os seus ataques não são contra os juízes que estavam julgando o caso, e sim contra o Exército que liderava o Executivo cubano e que promoveram torturas e chacinas contra os revolucionários que o acompanharam. Por fim, é um texto importantíssimo para entender a Revolução Cubana antes da Revolução Cubana. A defesa do próprio Fidel Castro contra a sua prisão pelo regime que ele viria a derrubar anos depois.

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