O Cerne -

    Gleidson Riff

    Editora Trevo
    2019
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9786550580117
    Português Brasileiro

    O que é a poesia senão o desejo de plasmar certas epifanias em livro ou em almas, entender e sentir a vida na sua essência mais transparente de páginas escritas em existência calma ou sangue metafórico? Os primeiros textos vacilantes, a estética arrancada das dores e questionamentos mais profundos do exercício dos equívocos. As vicissitudes, alegrias e alegorias do sentimento jovem e o caminhar dos anos: inexorável passagem. Assim mesmo, pretenso poeta, continuar insistindo nessa colheita, nesse cultivo do absurdo e do absoluto que é escrever. Andanças e “reandanças” internas, sequiosas e constantes na divisa do invisível, na solidão fecunda do ato, do erro, do acerto e do sublime. Poesia é o sublime, definitivamente, o sublime do ser. "O Cerne" é a apresentação do fazer poético condensado ao longo de uma vida, desde os anos noventa da juventude até os dias atuais em minha produção literária e estética.

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    Rebecca com dois cês26/02/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Qual o sentido da vida? A morte.

    Convém ressaltar, a princípio, que, ao ler a obra “O cerne”, de Gleidson Riff, tive o objetivo de compreender o que o autor quis evidenciar através de seus poemas — expressando, desse modo, um possível equívoco interpretativo de minha parte, mas que pode ser usado para refletir sobre a relação de cada indivíduo com o respectivo livro. Após ler “Ânima”, obra a qual achei maravilhosa, li “O cerne” esperando uma obra tão boa quanto a referida. É incrível! Iniciando a leitura, Gleidson Riff faz uma análise reflexiva e peculiar acerca do significado da poesia e sua importância para o mundo, tornando-se uma característica necessária da humanidade. Em poemas como “Beleza” e “Finados”, pude perceber que, mesmo com uma estética consideravelmente bela e todas as propriedades das pessoas, o fim para quaisquer delas é o mesmo: a morte. Em outros, como “Açoite” e “Mármore”, há a interioridade de cada um refletida nas pessoas ao seu redor. “O cérebro do homem é uma pedra”: inflexível, como o filósofo Parmênides dizia, ou “que naturalmente se desfaz”, trazendo uma intertextualidade de Heráclito, a qual o homem é como o fogo: mudança constante. Afinal, qual dos dois poemas paradoxais está correto sobre do ser humano? Minha resposta é: Ambos. Cada indivíduo traz em sua vida uma particularidade que o faz diferente dos outros, expressando uma diversidade e graça na existência. “Posse” fez-me questionar o que faltava na vida daquele eu-lírico. Em meio às palavras, faltar-lhe-ia a felicidade? Por que, mesmo com tudo o que possui – tanto materiais quanto imateriais -, ainda não é suficiente? Será pela vontade do ser humano de querer sempre conquistar mais? Meu cérebro processa. Além disso, há um poema que cita Arnaldo Baptista, membro de Os Mutantes. Já ouvi falar na banda, mas não tive a curiosidade de ouvir suas músicas até que li esse livro. Que letras! Haja filosofia! Em relação ao terceiro parágrafo, será que vamos todos virar bolor? Em “Revolta I”, realmente dará na mesma desperdiçar ou não o vinho do cálice? Tenho duas possibilidades (que podem estar erradas): 1) Não usufruir da religião não trará diferenças na pós-morte; 2) Não existe Teoria do Caos ou Efeito Borboleta, pois tudo já está determinado pelo universo ou algum ser superior. Realmente, qual o sentido da vida? A morte. Em “Lúdica”, a criança brinca sozinha. Há dependência de outro indivíduo na vida dela ou de algum bem material? Existe algum motivo para encontrar a felicidade e o bem-estar? Outrossim, há marcas peculiares da vida do autor, como mencionadas em “Opera prima filiae”, ressaltando a beleza da arte de uma criança. Em fim, “O cerne” foi uma leitura mais trabalhosa que “Ânima”, mas tão significativa quanto. Recomendo positivamente essa obra e agradeço ao autor por me proporcionar o conhecimento de sua inefável poesia.

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