Maha Akhtar se propõe neste livro a contar a história de suas antepassadas, uma história que ela conheceu tarde e que envolvia o mistério de seu nascimento.
A escrita da autora é muito fluida e eu particularmente gosto de acompanhar sagas familiares, então esses foram pontos muito positivos no livro. Também que, sendo a história contada do ponto de vista de Maha, vemos como foi difícil a vida desses mulheres que tiveram suas vidas manipuladas por homens, absorvendo uma infelicidade atrás da outra até se ausentarem do mundo nas drogas, como Laila ou se submeterem até ficarem apáticas, como Zahra.
O ponto negativo é que a autora é bem egocêntrica e não consegue se furtar a enaltecer os próprios talentos. Até a beleza - que não é exatamente um talento - é decantada como uma virtude que acompanha as mulheres de sua família desde sua avó. Num determinado momento, referindo-se à irmã, que não tem o mesmo pai, ela diz: Apesar de ser uma menina de muito mau gênio, seu pai a adorava porque era dele. Não era nem tão bonita quanto eu nem tão alegre, mas aos olhos de Anwar era um presente de Deus. - pág. 203. Fora ter que ler pérolas como um texto primário destes sobre sua avó Laila: Cresceu até se transformar em uma menina angelical, depois em uma adolescente encantadora e mais tarde numa jovem espetacular. - pág. 98
Também quando se refere à irmã mais velha da mãe, parece ter um certo tom de desprezo pela tia que se casou com um rato de biblioteca: Não se interessava absolutamente por roupas, compras ou rapazes e dedicava todo seu tempo ao esporte e os estudos (
) No dia em que Tariq foi conhecer Aisha, Laila implorou a ela que se vestisse de forma apropriada e que a deixasse penteá-la e maquiá-la. - págs. 146 e 148. Não me surpreende que esta tia tenha se afastado definitivamente da família.
Lendo como um romance de entretenimento foi bem agradável, mas é esquecível. Tenho aqui outro da autora, Mel e Amêndoas, mas este vou deixar passar.