“Cada um de nós não é senão uma estrela
A brilhar no céu do chão”
(Marcelo Jeneci, na música “Show de estrelas”)
Trata-se de um livro que, antes de tudo, é bonito de ser folheado: todas as páginas contêm coloridos desenhos, pinturas, xilogravuras, fotos, imagens de esculturas, quadros e objetos. O texto aparece emoldurando as imagens, em pequenos capítulos que nos levam às mais inesperadas observações e interpretações relativas aos componentes celestes e aos fenômenos por eles protagonizados.
O autor consegue condensar na obra elementos surreais, que prendem o leitor com histórias que se esbarram nos mais diversos temas e sob as mais diversas formas: lendas, cantigas, superstições, provérbios populares, poesia, passagens bíblicas, crenças pagãs, deuses, meteorologia, astronomia, astrologia, culturas grega, romana, egípcia, indiana, inca... e luas, sóis, estrelas, nuvens, planetas, meteoros, cometas, ventos, chuvas, nevascas, solstícios, raios, trovões, relâmpagos, mares, arco-íris... ufa! Realmente existe muito mais coisa entre céu e terra do que julga existir nossa vã sabedoria!
E, depois de ler esse livro, creio que exista muito mais coisa entre céu e céu, do que julga existir nossa vã sabedoria... Porém, assim como é mostrado no livro, a possível falta de sabedoria que nos acomete, é perfeitamente mimetizada pela vasta e fértil imaginação, crença, temor e admiração que nossos antepassados possuíam em relação ao céu. Mesmo sendo suas interpretações quase todas errôneas, impulsionadas pela emoção e não pela razão, sinto que a sensibilidade daqueles povos seria bem vinda à atualidade. Os céus agradeceriam.