Confesso que tive um pouco de dificuldade para acabar de ler esse livro. Fazia tempo que não entojava (conhecem essa palavra? Minha mãe usava muito) com o estilo de um autor. Não me entendam mal, o livro É interessante, é só o estilo meio bombástico (ao menos no início) que me deu um pouco nos nervos. Depois de algum tempo, a história engrenou e nem prestei mais atenção.
O livro é uma grande reportagem (romanceada aqui e ali) sobre o auge do movimento Espiritista (aqui no Brasil, Espírita, não sei porque) nos EUA, concentrando-se no embate entre Margery Crandon, uma (então) médium famosa e Harry Houdini, o famoso mágico e escapista que se dedicou a expo-la e a outros médiuns como fraudes.
A comunicação com os mortos teve um grande reconhecimento mundial quando Sir Arthur Conan Doyle, mundialmente conhecido pelos livros de Sherlock Holmes, abraçou o movimento, tornando-se um dos seus maiores divulgadores. Ele viajou o mundo e especialmente os EUA divulgando suas "provas". O movimento ganhou tanta força que a revista Scientific American ofereceu um prêmio para quem provasse a realidade da comunicação com os mortos. Para julgar quem deveria receber o prêmio, uma comissão foi formada, contando entre seus membros o famoso mágico, Harri Houdini. Essa comissão examinou e descartou vários candidatos, expondo todos como fraudes.
Margery era a esposa de um cirurgião em Boston que começou a mostrar poderes mediúnicos e logo se tornou bastante famosa dentro do movimento, ganhando até o reconhecimento de Conan Doyle. Ao contrário dos outros médiuns, ela era rica e não cobrava pelas sessões (sèances). Ela incorporava/manifestava (não conheço o jargão) um irmão mais velho que havia morrido ainda jovem. Os fenômenos que ela exibia eram bastante fantásticos, e convenceram todos menos 1 da comissão da Scientifc American.
Harri Houdini era um judeu em Nova Yorque que se dedicou a realizar feitos extraordinários de escapismo, conseguindo de livrar de cativeiros de modos praticamente milagrosos. Ele realizava truques mágicos impressionantes e ficou mundialmente famoso. Depois da morte da mãe, a quem era muito ligado, ele tentou se comunicar com ela através de médiuns, mas descobriu que todos utilizavam truques que ele percebia graças a suas habilidades, e, enraivecido, se dedicou a expo-los como fraudes.
Harri se encontrou e presenciou os fenômenos manifestados por Margery, mas também a expôs como mais uma fraude. O livro descreve o longo processo dos testes realizados, a biografia dos envolvidos e toda a cronologia do fenômeno na época.
Apesar da minha ojeriza inicial com o estilo do autor, gostei bastante do livro, cheio de informações interessantes sobre a época e os personagens históricos conhecidos. É impressionante os paralelos que podemos traçar entre o movimento na época (década de 1920) e o movimento espírita aqui no Brasil atual. Recomendo bastante.