Mas será só isto o amor? Ou antes, na sua plenitude, o acto meio inconsciente que leva a caminhar às cegas no arame estendido sobre o precipício? Pode a convivência quotidiana - monótona - entre um homem e uma mulher ser confundida com o verdadeiro amor? Numa solitária viagem ao passado, conversando com o espectro de uma mulher que continua a habitar o seu quarto, um homem revisita as memórias de uma antiga paixão, tornada impossível pelas próprias contradições que o amor encerra e pelos estranhos labirintos que a loucura do narrador arquitecta. Um monólogo íntimo e, às vezes, perturbador, onde se fala também do peso das palavras, dos laços que é necessário quebrar para que a morte deixe de causar temor e do momento de libertação que se esconde por trás do acto de suicídio.
