Conheci este livro graças a um amigo que estava com uma porrada de livros para doação e me dispus a ajudar o mesmo a se desfazer mediante a promessa que nenhum seria vendido. E como ler os livros antes da doação não viola o acordo e esta obra tem apenas 70 páginas, resolvi arriscar a leitura e manter a minha palavra.
A ideia era muito boa. Mostrar histórias inspiradoras de pessoas reais que passaram por apuros e, de alguma forma, viraram exemplos de superação. Alguns capítulos são encerrados com frases famosas das próprias pessoas.
O problema? A execução.
Começando pelo aspecto editorial da obra: fonte sem serifa e uma revisão bem precária? Não dá para aceitar. Talvez o autor tenha de algum país que fale espanhol e tenha familiaridade com o português. Todavia, um bom revisor de texto o ajudaria a ver quando misturou português com espanhol ou quando cometeu algum erro gramatical.
E o conteúdo pode até ter uma história legal aqui ou ali, bem como boas indicações de livros ("Meu Pé Esquerdo", de Christy Brown, e "Em Busca de Sentido", de Viktor Frankl) e poesias para quem gosta. No entanto, senti falta de um pouco mais de organização entre os textos. Talvez uma divisão entre poesias e prosas, textos somente em português (por que publicar poemas em espanhol?) e quem sabe uma ordem cronológica de nascimento das pessoas daria uma sensação de harmonia. Sem contar que reproduzir textos sem falar nada sobre os autores, tal qual as partes sobre Alan Turing e Martin Luther King Jr., não ajudam muita coisa.
Em suma, "Gente como Nós" é um livro legalzinho para se ler em apenas um dia. Mas eu creio que vou lembrar dele como um "Sonhos Mais que Possíveis" sem charme.
Sem mais.