Cartas para Alice - O amor tem cura?

    Néka Martins, Eliane Reis

    Lura
    2019
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-10: B07Z47CB7C
    Português Brasileiro

    Imagine um mundo sem internet e celular. Um mundo sem Facebook, Twitter, Tinder, Instagram e Whatsapp... Acredite, este mundo existiu! Em plena ditadura militar, Alice e Augusto se conhecem em São Paulo e logo se apaixonam. Apesar das divergências entre suas famílias, o jovem casal se entrega à paixão avassaladora e, juntos, descobrem o amor e a sexualidade. Dispostos a qualquer coisa para se manterem unidos, nem imaginam que os desdobramentos políticos da década de 1980 serão capazes de separá-los. Sem a possibilidade de se despedir, Alice se muda para o interior carregando não apenas um coração partido, mas também segredos e palavras não ditas. Lá, a única forma de se comunicar com Augusto são cartas que, infelizmente, trazem esperança e felicidade, mas também angústia e decepção. Incapaz de mudar sua triste realidade, Alice enfrenta as dificuldades de uma juventude repleta de desigualdade e preconceitos, deixando que o tempo se encarregue de reaproximá-la de seu verdadeiro amor ou curá-la definitivamente desse intenso sentimento. Spoiler: Em Cartas para Alice, as autoras nos brindam com dois finais diferentes. Surpreenda-se!

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    Meu Vício em Livros10/02/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Romance nostálgico

    Ao som de Você não soube me amar, da banda Blitz que não sai da minha cabeça, eu trago esta dica de leitura para vocês. Imagine um mundo sem internet e celular. Sem Facebook, Instagram e Whatsapp... Difícil imaginar a sua vida sem tudo isto? Estou entregando a idade neste post porque sou desta época. Esta semana completo 42 anos e na cena da aula de educação física da Alice eu simplesmente vibrei porque usei aquele uniforme do shortinho vermelho de elástico e saia branca de pregas. Mais alguém aqui? Este romance acontece em plena Ditadura Militar no Brasil e foi tão nostálgico! Quem viveu nesta época vai amar esta leitura e quem não viveu vai conhecer muita coisa interessante. Quem nunca ouviu falar do permanente de cabelo? Do creme rinse? Jogo do Stop? Fez compra no Mappin ou na Mesbla? Engasgou com bala Soft e tomou refrigerante Crush? Gente! Eu revivi muita coisa e também aprendi outras que nunca tinha ouvido falar. A trama começa no verão de 1982, em plena Ditadura Militar no Brasil. Alice, (16 anos) e Augusto (18 anos) se conhecem na cidade de São Paulo, estudam na mesma classe, tem sua experiência romântica em um bailinho de garagem, se encontram às escondidas da família e dos professores e não sabem o que o futuro lhes reserva. Alice é pobre e sofre muito preconceito por ser negra. Augusto é rico e vive em uma típica família que preza mais pelo status social que pelo diálogo. Ele escreve poesias e é desta forma que acontece a primeira aproximação dos dois. Então há uma reviravolta gigantesca quando Alice se muda para uma cidade do interior e eles se separam. Entre troca de cartas e segredos não revelados, eu me surpreendi demais com o rumo desta história, fiquei literalmente de queixo caído com tudo que acontece após 30 anos. O reencontro deles é emocionante e a mudança de cenário é fantástica. Muita coisa choca neste livro e uma delas é ler que naquela época o preconceito descarado e o bullying no colégio eram considerados normais. E ERAM MESMO! Sempre existiu e ninguém fazia ou falava nada sobre o assunto. Parei diversas vezes para fazer pesquisas no Google, olha a ironia! Alice e Augusto jamais imaginariam que isto existiria um dia. Os meninos brincavam de bonecos de ação, jogavam bola de kichute e colecionavam álbuns de figurinhas da Copa. Há diversas notas explicando as expressões, comidas, moda, filmes, músicas e locais da época e eu adorei isto. Degustei cada capitulo e ainda tive muito assunto para bater papo com o marido. Foi quase uma leitura conjunta aqui, nunca vou me esquecer desta experiência deliciosa. Narrado em primeira pessoa com os pontos de vista intercalado entre Alice e Augusto, este livro tem dois finais diferentes e eu gostei mais do segundo. Leiam! Depois vamos conversar? Acredito que este enredo dará um bom debate.

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