“(…) o homem é o lobo do homem e, portanto, entre devorar e ser devorado, o melhor é ir aguçando os dentes à cautela.”
O Neo-realismo foi um movimento artístico que surgiu em Portugal no início de 1940. Ideologicamente de esquerda, mas paralelo ao Estado Novo, o movimento visava agir como um transformador da sociedade portuguesa. Ao mesmo tempo que entrava em confronto com o totalitarismo vivido à época, dava a conhecer as injustiças sociais nas quais o homem comum tinha papel de destaque.
Considerado um dos maiores escritores portugueses da segunda metade do século XX, Carlos de Oliveira foi também uma figura representativa do Neo-realismo português.
Este ‘Uma Abelha na Chuva’ foi a minha porta de entrada para a obra deste autor. Apesar da sua elevada importância no panorama literário nacional, certo é que sempre me passou um pouco ao lado e não me lembro sequer de o ter estudado na escola (ainda que este se tenha tornado um clássico de leitura obrigatória dos programas escolares na década de 90). Memória selectiva, talvez!?!
Quanto à experiência de leitura, esta foi bastante agradável, não só pelas questões retratadas e claramente associadas ao Neo-realismo mas também pelo seu carácter cinematográfico, muito por conta da escrita subtil e engenhosa com que o autor nos dá a conhecer as personagens e o ambiente que as rodeia. Teria preferido outro final mas o que se relevou não deixou de ser uma surpresa.
Saldo largamente positivo.