Neste livro, produzido a partir de entrevista de Noam Chomsky dada à linguista francesa Mitsou Ronat, pela primeira vez traduzido e lançado no país, o autor aponta caminhos e aprofunda o debate sobre a relação entre os estudos linguísticos e as éticas filosóficas e sociais. Chomsky é apresentado aos leitores em duas facetas pelas quais se tornou universalmente conhecido: a do militante político e a do teórico lingüístico. Na condição de contestador da guerra do Vietnam, adversário do imperialismo americano e crítico do “liberalismo totalitário”, ele destaca o papel da intelligentsia no controle da opinião, denunciando as operações do FBI, analisando o recuo da contestação estudantil e destruindo o mito da complexidade política, que faz do debate das questões sociais um domínio privativo dos “especialistas”. No campo da linguística, Chomsky explica sua concepção das relações do estudo da linguagem com a psicologia, a sociologia e a filosofia. Sua fundamentação epistemológica é colocada a serviço das discussões sobre a responsabilidade e a linguagem. Ponto alto do livro é a referência histórica à teoria por ele formulada e as menções aos estudos de linguistas hoje renomados que nos anos 70 apenas iniciavam seus trabalhos ou defendiam títulos de doutorado.

