Escrever contos é uma arte que demanda trabalho, criatividade e um repertório especial de habilidades. Podemos acrescentar a essas especialidades o caráter cultural e religioso no fazer escrito; representações criativas de uma cultura religiosa. É isso que Isaac Beshavis Singer, prêmio Nobel de Literatura de 1978, apresenta o seu livro de contos sobre a cultura e religião judaica ?Breve Sexta-feira? publicado em 1963.
O livro aborda dezesseis histórias, todas marcadas pela cultura judaica, particularmente o caráter comunitário sobre as crenças, mitos, e visões sobre a religião (judaica). O livro bate bastante na tecla do caráter sobrenatural, retratando a visão popular religiosa sobre o diabo, fantasmas, demônios, feiticeiras, anjos e homens santos. As personagens tem uma carga muito forte de superstição, onde até apresenta a visão conservadora da religião, o forte apelo ao preceitos do judaísmo. Bashevis Singer apresenta uma mescla entre escrita criativa com as experiências pessoais de sua vida como judeu que veio de um vilarejo da Polônia.
É perceptível a intenção de Bashevis Singer de tentar representar a visão popular judaica sobre os demônios, expondo os demônios em cada ação ?errada? dos seres humanos. Apesar do cuidado do autor apresentando um estilo elegante e peculiar da escrita e pelo inusitado das historias, de um fantástico e fantasmagórico humor, particularmente é uma leitura repetitiva. Os contos vão ?além da conta? na escrita, onde é perceptível a ?encheção de linguiça?. Muitos das histórias poderiam ser mais enxutos, e o excesso de texto e passagens pouco relevantes torna a leitura cansativa. Os únicos contos que me chamaram a atenção foram ?Sozinho? e ?Breve Sexta-feira?; simplesmente por apresentarem traços um pouco diferentes dos da maioria dos contos do livro. Enfim, poderia ser mais econômico e variar a temática, mas no geral soou muito repetitivo para mim.