Publicado pela editora Terra Redonda, o livro apresenta, principalmente, poemas longos e poemas em prosa de abordagem marcadamente surrealista.
"(...)
Comer
as partes mornas
das superfícies da vida,
torná-las entranhadas
e tramar com elas
uma comunhão,
cópula,
cornucópia."
São poemas que versam sobre o corpo e sobre desejo, perscrutando-os sob os aspectos afetivos, existenciais e políticos.
"(...)
Amo a alma pouca
e namorada
dos homens traídos,
que não cabem em si,
como o desenho
não quer caber na página."
"(...) Escrevo com o cuspe
das palavras que eu não disse."
E que através de associações inusitadas e imagens insólitas, desenvolvem um diálogo-desafio (luta corporal) com filósofos e artistas.
"(...) Este caderno
é pano de fundo
para a ciclista
que não coube
no quadro de Degas."
Assim como num squirt - termo para ejaculação feminina que dá nome ao livro - o eu poético dos versos de Scherer quer vivenciar o desejo em ápices, completudes, experimentando-o para lá dos limiares, e reconhecendo-se em diferentes nuances de vida.