Linha Direta do Além - Transcomunicação instrumental: Realidade ou Utopia?

    François Brune, Rémy Chauvin

    Edicel
    1994
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-13: 9999003557752
    Português Brasileiro

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    Henrique Luiz Fendrich04/02/2020Resenhou um livro
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    A parte do padre François Brune é mais objetiva do que no seu livro "Os mortos falam", na sua busca por uma explicação para o fenômeno de transcomunicação experimental. A parte de Chauvin, por sua vez, tem o objetivo de fazer um apanhado de todos os fenômenos “paranormais” ao longo da história, o que, pelo menos para mim, teve como resultado desesperar da possibilidade de chegar um dia à verdade, além de me fazer cogitar que tudo, absolutamente tudo, não passa de uma brincadeira do nosso próprio cérebro. O objetivo, claro, não era esse, mas contextualizar o ambiente em que surge o fenômeno da transcomunicação. Mas o que Chauvin aponta é tão caótico, e o monstro da bizarrice está tão presente, que é difícil acreditar no que quer que seja. Chamou-me a atenção na parte do padre a questão das contradições existentes entre as mensagens que, supostamente, se recebe lá do Além. Isto é, quando essas entidades ou coisa que o valha passam, pelas ondas do rádio, mensagens de conteúdo mais abrangente e destinado a toda a humanidade, descrevendo detalhes da vida do outro lado e dos processos a que estão sujeitos, frequentemente elas dizem coisas contraditórias entre si. E o padre mostra, inclusive, um caso em que uma mesma entidade entra em contradição consigo mesma. Admitindo que não seja o caso de todas elas serem fraudes, mas que sejam, de fato, comunicações genuínas, o que explica essas contradições? O padre Brune sugere a existência de diferentes níveis de vida no Além, sendo que a que pode entrar em contato conosco habitaria meramente os “subúrbios” do mundo espiritual. Isso tem implicações interessantíssimas, porque então todos os mortos a que tanta gente se empenha em ouvir, embora estejam, de fato, em um plano superior ao nosso, não estariam no plano mais superior de todos, de tal maneira que eles também não estão em condições de falar do que está acima deles. Nem por isso, como nós, eles deixariam de tentar e ter as suas próprias teorias a respeito do funcionamento de tudo, e que seriam as que passam a nós, quando instados. Parece loucura, mas existe uma possibilidade de que exista vida após a morte e que, do lado de lá, continuemos tão perdidos quanto aqui, cada um com a sua própria interpretação e explicação para a pergunta “por que estamos aqui?”. Há nesse livro ainda detalhes sobre a polêmica existência de um "cronovisor", a máquina que supostamente permitiria rever cenas do passado. Por mais vontade que se tenha de acreditar nos relatos do falecido padre Ernetti sobre a construção e posterior desmanche da máquina, e por maior crédito que se dê aos relatos do padre Brune, que, sem ter visto a máquina, parece sustentar a sua existência na honradez do padre Ernetti, uma coisa tão grandiosa como essa é algo que não se acredita sem evidências. E não há nenhuma, nem umazinha que seja, tudo o que há são relatos do padre Ernetti, eventualmente de pessoas que conviveram com o padre Ernetti. Para acreditar no cronovisor, é necessário também acreditar na integridade do ser humano, incapaz de quebrar uma palavra e contar ao mundo tudo o que sabe, tudo o que viu e experimentou.

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