Eis o espírito: "a necessidade, a mãe das invenções, a que faz o sapo pular". Ora, não fosse a adversidade, não haveria o guerreiro. Ou como diz o ditado da caserna: "enquanto o mundo gira, o soldado se vira."
O livro é conduzido com mão de mestre pelo autor que demonstra o que chamou em diversas passagens do livro como sendo o "ethos" guerreiro, o seu modo de ser do guerreiro.
Demonstrou que vivemos numa sociedade contraditória, que prima por ideais antiguerreiros , mas envia os guerreiros para fazer o trabalho "sujo", que precisa ser feito.
O autor versa sobre a transformação e valoração de uma sociedade que partiu de uma sociedade tribal para uma sociedade que preconiza valores guerreiros como a honra e a coragem e o trabalho em equipe e em tudo priorizando o coletivo em detrimento do individual, bem como colocando a abnegação em favor do grupo como característica a ser seguida e incentivada.
A meu ver só faltou um maior aprofundamento do autor na questão da psique coletiva, pois como a ética guerreira se baseia no trabalho coletivo e o autor iniciou uma explanação sobre o inconsciente coletivo, noção criada pelo psicólogo Carl Jung, não chegou a adentrar em pormenores da teoria junguiniana e fazer um paralelo e um link com o chamado espírito guerreiro. Outro problema que percebi superficialidade foi ter falado de Grécia e mais entusiasticamente de cultura espartana e sua sociedade guerreira, e não haver citado outros povos e civilizações guerreiras, como os japoneses, os vikings, entre outros povos com culturas voltadas ao espírito guerreiro. Pra mim, só faltou isso pra gabaritar a nota dez.