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    A lição do amigo - Cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade

    Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade

    José Olympio
    1982
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    38 avaliações
    Leram79Lendo7Querem157Relendo0Abandonos4Resenhas4
    Favoritos8Desejados157Avaliaram38

    Apresenta cartas que Mário de Andrade escreveu a Carlos Drummond de Andrade, selecionadas e anotadas pelo destinatário. Indica que da comunicação epistolar entre os dois intelectuais brasileiros emerge um quadro da vida cultural do país e da sua atividade editorial.

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    Maurício Silva28/01/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A lição do amigo

    O livro é inteiro uma história de amor, como são todas as histórias das verdadeiras amizades. Primeiramente vivida a dois, na privacidade epistolar, e hoje, graças àquele tipo de traição que nos logrou conservar um Kafka, se estende a tantos quantos quiserem e tiverem a oportunidade de lê-la. São todas cartas de Mário; nenhuma de Drummond. A presença deste, todavia, faz-se valer a cada uma das notas, a se nos afigurar como suaves intromissões de quem conosco avança na leitura, a esclarecer-nos contextos e contar-nos o fim que levaram tais e quais projetos anunciados. O carinho devotado ao poeta paulista não passa despercebido nas entrelinhas dessas observações, embora já se houvera prenunciado no título escolhido para o livro. ?A lição do amigo? é um nome elegante e digno da simplicidade drummondiana; transmite a ideia acertada do que se encontra em seu recheio: um professor que, além das lições de música que lhe ganharam o pão até o final, oferece lições de vida. Sem nunca abandonar o receio de estar ?fazendo literatura? em suas cartas, Mário nos presenteia com profundas reflexões sobre matrimônio, amizade, vida social, felicidade, e tantos outros temas conectados entre si por um eixo comum: o amor à vida. Uma espécie de Nietzsche brasileiro, contudo mais saudável ? e católico ?, orgulhosamente levanta o estandarte da primazia da vida sobre a arte, da realidade sobre a fantasia, da adaptação sobre o idealismo. A tragédia perpassa todas as suas páginas. Se de antemão sabemos que a correspondência estende-se até dois dias antes da morte do criador de Macunaíma, cada passar de carta é um passar da vida. Vemo-nos instalados na cronologia de sua existência real, transportados pelo tempo até a primeira metade do século passado, para São Paulo, à Rua Lopes Chaves, 546. Quase chegamos a ouvir o ranger de seus móveis, o som das solas dos sapatos contra o piso, o cheiro da comida do almoço, as vozes, o piano. Assistimos ao desenrolar daquela vida cujas dores sem trégua não obstavam a alegria, antes lhe davam mais firme incentivo e propósito. Adiante, pela pena de Mário, na companhia de Carlos, seguimos sem retrocesso pela trama fatídica em direção àquela que é a ?angústia de quem vive?. Aqui, o fim do livro corresponde ao fim da vida: aquele termina quando ? e somente porque ? esta chega ao seu derradeiro suspiro. Hoje, nem Mário, nem Drummond contam-se mais entre os vivos, mas conosco permanece este vislumbre imortalizado de sua amizade. Ficamos cá, deste lado, pensativos, a refletir sobre as relações que cultivamos nós mesmos, sobre nossos amores e amizades, acerca do mundo e da vida. As cartas de Mário são o particular que se lança ao todo, ao grande drama de existir. Se a princípio tiveram por destinatário um jovem poeta do interior de Minas, com rua e número certos, hoje se espalham por todo o mundo lusófono, a comover, ensinar e fazer novos amigos.

    1 curtida

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    4.4 / 38
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    • 4 estrelas24%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas3%
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    Mário Raul de Moraes Andrade

    Andrade nasceu em São Paulo no dia 9 de outubro de 1893, onde morou durante quase toda a vida até morrer no dia 25 de fevereiro de 1945. foi um poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo, folclorista e ensaísta brasileiro. Seu segundo livro de poesias, Paulicéia Desvairada, marcou para muitos o início da poesia modernista brasileira. Em 1922 parcitipou ativamente da Semana de Arte Moderna, que teve grande influência na renovação da literatura e das artes no Brasil.

    125 Livros
    365 Seguidores
    São paulo, Brasil

    Mário Raul de Moraes Andrade