O livro pretende contribuir na construção de um quadro de atuação educativa que se alimenta tanto dos avanços teóricos quanto da aplicação prática. Organizado em duas partes: a primeira se dedica a três aspectos que interagem no processo da educação literária: a escola, os leitores e os livros; a segunda expõe a inter-relação destes elementos com quatro possibilidades de leitura que ajudam os professores a programar suas atividades de animação leitora: leituras individual e coletiva, sua expansão em áreas distintas do conhecimento, assim como a escola como guia especializado na interpretação dos textos. Andar entre livros é uma obra de consulta essencial para quem se interessa em inovar suas atividades de promoção da leitura nas aulas ou fora delas, pois descreve "a maneira em que tanto livros como docentes trabalham em conjunto para elaborar um itinerário de leitura, que permite levar as novas gerações as possibilidades de compreensão do mundo e da fruição da vida que a literatura abre."
Andar entre livros - a leitura literária na escola
Teresa Colomer
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Ver maisAndar entre livros, de Tereza Colomer, é um livro bastante denso, que demanda certo esforço por parte do leitor, principalmente, a primeira parte, mas garanto que a leitura deste livro é bastante valiosa. Quem se aventurar na empreitada, com certeza ficará mais enriquecido. Andar entre livros traz reflexões muito importantes sobre os desafios de se ensinar a ler literatura na escola, remontando o período em que a autora atuou em uma escola da área metropolitana de Barcelona. O livro é uma obra essencial para os profissionais da educação, ou qualquer pessoa que tem como preocupação a promoção da leitura. A autora destaca a necessidade de se colocar ao alcance dos alunos a literatura adequada de acordo com a idade e o interesse do leitor. Outro ponto importante é o de que se deve levar em conta o processo contínuo dentro do itinerário de leitura entre as séries iniciais e as séries finais, no ambiente escolar. Analisando historicamente, a autora percebeu que até não muito tempo atrás, a escola tinha por hábito trabalhar o estudo de fábulas nos anos iniciais; os anos finais destinavam-se ao estudo da história da literatura, em vez do estudo da literatura em si. Nesse ponto, se compararmos com o que vemos em nossas escolas, percebemos que o que Colomer observou em Barcelona, não é muito diferente do que acontece no contexto brasileiro. Assim, fica inviabilizada a prática da leitura, gerando uma incoerência gritante, já que o objetivo da escola é a formação de leitores competentes, no sentido social, cognitivo e afetivo. Ou pelo menos deveria ser. Não é que a história da literatura não seja importante, ela tem o seu valor, mas o acesso às obras deve estar sempre em primeiro lugar, nada pode substituir a experiência da leitura das obras literárias. Além disso, Colomer salienta, também, a necessidade de que se leia obras integrais, não fragmentadas. O leitor precisa ter em mãos o objeto livro. Por isso, a importância das boas bibliotecas nas escolas e fora delas. Entretanto, somente o acesso ao livro não tem se mostrado efetivo na promoção da leitura de obras literárias, pois “graças à extensão da escolaridade, lê-se mais que nunca, mas o que se lê está longe de corresponder à literatura e seus possíveis benefícios” (P.104). Tendo em vista que somente o acesso ao livro não é o bastante, é preciso também mediadores competentes, professores leitores e capacitados para estimular o acesso à leitura. Sim, professores leitores fazem a diferença. Nesse sentido, mais uma vez podemos traçar um paralelo com o Brasil, pois pesquisas mostram que o perfil dos nossos professores nem sempre são oriundos de uma tradição leitora. Um aspecto que vale destacar diz respeito ao compartilhamento da leitura com outras pessoas, tendo em vista sua importância, pois na troca com o outro, verificamos a possibilidade de construção de sentido e obtenção de prazer, o que ajuda melhorar a compreensão dos livros lidos. Para a autora, o ato de compartilhar leituras, é basilar na formação de leitores, pois faz com que o leitor possa experimentar a leitura em sua dimensão socializadora. Para tanto, é necessário equilibrar a leitura autônoma, a leitura por prazer e a leitura de âmbito escolar. No capítulo 8, ao tratar do tópico “Ler com os especialistas”, a autora faz uma reflexão sobre a falta de clareza na delimitação dos objetivos quanto à orientação dos saberes que devem ser acionados na orientação de leitura dos alunos, mais precisamente no que se refere á etapa secundária. Ela fala da importância de se servir da leitura de textos de especialistas, mas com a devida cautela, já que esses textos devem ser utilizados como guia, apenas, e não como substituição à leitura dos alunos. Do mesmo modo como é problemático substituir a leitura de obras literárias pelo estudo da história da literatura, a leitura com especialista se mostra igualmente comprometedora. Ou seja, o guia deve auxiliar o leitor, “deve servir para mostrar o modo de vencer as dificuldades de sentido da obra” (P.183). A leitura guiada deve ampliar uma leitura anteriormente já realizada. Assim sendo, numa sala de aula, a depender da mediação, se não tomar o devido cuidado, o professor pode acabar criando uma armadilha para seus alunos, na medida em que impõe sua autoridade de especialista. É importante que o mediador, seja ele professor ou não, estimule os leitores a terem suas próprias interpretações, que eles tenham autonomia para expressar suas opiniões pessoais e suas afetividades com as obras lidas. É por essas e outras reflexões, trazidas por Tereza Colomer, que considero bastante valiosa a leitura deste livro. Servez-vous!
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