Maravilhas do Conto Infantil -

    não informado

    Cultrix
    1961
    258 páginas
    8h 36m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    As mais famosas histórias dos clássicos da literatura infantil. Contém contos de Andersen, Irmãos Grimm, Perrault, entre outros, além de fábulas de Esopo, Fedro, La Fontaine e lendas brasileiras.

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    Henrique Luiz Fendrich08/02/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Faltava ainda esse volume para eu terminar a leitura da coleção “Maravilhas do Conto” – são 30 volumes no total. Esse volume, sendo voltado ao conto infantil, privilegia histórias de Andersen, Irmãos Grimm e Charles Perrault. Na verdade, é o único volume de toda a coleção que dedica vários contos a um mesmo escritor ou escritores. Isso se justifica pelo fato de que aquilo que a gente entende por “conto infantil” é, realmente, aquilo que foi produzido principalmente por esses nomes, mas não deixo de pensar que seria possível fazer uma antologia mais abrangente, quem sabe resgatando tesouros infantis que não são mais tão lembrados. Não saberia citar exatamente quais nomes mereciam um lugar nessa antologia, apenas o do E.T.A Hoffmann, com a história do Quebra-Nozes. Imagino que mesmo no Brasil haveria, já naquela época, contos infantis a se destacar. Uma parte do livro é dedicada a “lendas brasileiras”, histórias bem curtas, que podem agradar as crianças, mas a mim ficou a impressão de que fariam melhor papel em volumes como “Maravilhas do conto popular”. Há também fábulas de Esopo, Fedro e La Fontaine. Achei que nem todas caem tão bem assim numa antologia voltada ao público infantil. “O conselho dos ratos”, do La Fontaine, por exemplo, é claramente direcionado ao público adulto. De toda forma, um dos momentos mais interessantes do livro é a história “Branca de Neve e os Sete Anões”, dos Irmãos Grimm, história que é bem conhecida na versão da Disney, mas aqui somos apresentados à versão escrita original, o que nos faz perceber o quanto a Disney “suavizou” a história. Afinal, na versão dos Irmãos Grimm, a Branca de Neve é uma menina de sete anos de idade. Embora não haja a cena do beijo com o príncipe, quando Branca de Neve está dentro do caixão, há o casamento do príncipe com a menina de sete anos de idade, o que não seria tolerável para o público de hoje. E a morte da madrasta teve requintes de crueldade. Um dos méritos do livro é, justamente, apresentar a versão escrita original de histórias bem conhecidas, como também é o caso “O patinho feio”, de Andersen (o patinho NÃO era negro, como em várias adaptações), “A borralheira” (uma versão absurdamente violenta em que as irmãs de Cinderela CORTAM PEDAÇOS DO PÉ para caber no sapatinho, e ao fim da história tem os olhos furados por pombos), dos Irmãos Grimm, bem como “Capinha Vermelha” (A história do Chapeuzinho Vermelho é mais parecida com o que se conta até os dias de hoje), e “O gato de botas”, de Perrault. Há ainda um conto de Marie-Catherine d’Aulnoy, escritora que deu origem ao termo “contos de fadas”, e a russa Condessa de Ségur, que faz uma interessante trama em “História da princesa Rosinha”, embora levando a tal ponto a interferência das fadas que os próprios seres humanos não passariam de joguetes na mão delas, quase sem livre-arbítrio. Foi, de toda forma, uma leitura interessante, e a coleção “Maravilhas do conto” é mesmo maravilhosa.

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