Estive tão entusiasmado pela literatura judaica, seja ela feita em ídiche ou em hebraico, que peguei outro livro destinado a ela. Mas “O novo conto israelense”, se bem que apresente os seus momentos notáveis e que me remeteram ao que de melhor já li dessa literatura, freiou um pouco o meu entusiamos, pois nele encontrei também muitos contos difíceis de ler e que definitivamente não caíram no meu agrado.
Este é um livro que se destaca por um tom incrivelmente lírico e poético. Acho que todos os contos podem ser descritos dessa maneira. Alguns o elevaram a um ponto que se tornou difícil a minha compreensão, mas em outros eu pude realmente saborear toda a beleza que eles tinham a oferecer.
Os contos que mais me agradaram foram “O silêncio contínuo de um poeta”, de A. B. Yeochua, que trata de um poeta, é claro, e o seu filho temporão, que tinha algum problema mental a ponto de ser considerado idiota pelas pessoas ao seu redor, mas que depois de grande passou a querer escrever poesia como o seu pai. Texto sensível e cheio de momentos belos, em uma linguagem bastante direta;
“Morte na aldeia”, de Itzchak Ben Ner, também bastante sensível, sobre um homem que, de certa forma, roubou a esposa estrangeira de outro, e eles todos viviam em uma mesma e pequena aldeia, o tempo passa, o amor entre os dois se tornou já uma ilusão e a mulher estava às portas da morte, quando o homem então, confessando a sua culpa, vai até a casa do marido abandonado e se oferece para devolvê-la, mas a família recusa;
E “A morte do Deus Pequeno”, de David Schahar, sobre um sujeito que tinha realmente o apelido de Deus Pequeno, graças a umas teorias bem singulares que tinha a respeito do tamanho de Deus, e que morre sozinho, o que levou a uma série de reflexões existenciais interessantes por parte do seu inquilino, talvez a pessoa mais próxima dele.
Nesse livro, também li os meus primeiros textos do Amos Oz, que comparece com dois contos (“Caminho de vento” e “O nomâde e a víbora”), sendo que gostei mais do primeiro, sobre o filho que um homem muito respeitado no seu kibutz que é paraquedista e, em um dia de apresentação, cai no meio da fiação elétrica, mas teve várias chances de se salvar e nunca tinha coragem suficiente para isso.
“Badenheim-1939”, um dos contos de Aharon Apelfeld, também é interessante por mostrar de que modo a aproximação da guerra começou a afetar uma comunidade judaica, que ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo.
Entre os contos mais difíceis de ler, para mim, estão o de Yeshaiau Koren e os dois de Amália Cahana Carmon. Tem ainda Nissim Aloni com um bom drama em “Ser padeiro”, e termina com dois contos de Yehuda Amihaim, também eles marcados essencialmente pela poesia.